UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021
Paciente de 63 anos, sexo masculino, deu entrada no pronto atendimento com quadro de dor abdominal em FIE, há 48 horas, associado à sensação de distensão abdominal, além de parada de eliminação de gases e fezes. Ao exame físico: FC:96 bpm, temperatura - 37.8 ºC, dor em FIE a compressão e descompressão brusca. Hemograma: leucócitos - 11.500 mm³, bastões 17%. Realizou tomografia de abdome com os seguintes achados: inflamação do meso e parede do cólon na altura do sigmoide e coleção líquida densa na pelve com 5 cm. Você, como R1 de cirurgia geral, foi chamado para avaliar o caso. Qual a melhor opção para diagnóstico e conduta?
Diverticulite com abscesso localizado (Hinchey II) → tratamento conservador com ATB + drenagem percutânea, se possível.
A classificação de Hinchey é fundamental para guiar a conduta na diverticulite aguda. Um abscesso pericólico ou pélvico bem delimitado (Hinchey II) geralmente responde bem à antibioticoterapia e drenagem percutânea, evitando a cirurgia de urgência, que é reservada para casos mais graves ou falha do tratamento conservador.
A diverticulite aguda é uma condição comum, e sua gravidade é estratificada pela classificação de Hinchey, que orienta a conduta terapêutica. A doença é causada pela inflamação ou perfuração de um divertículo, geralmente no cólon sigmoide. A apresentação clínica varia de dor abdominal leve a quadros de peritonite grave. A tomografia computadorizada de abdome é o padrão-ouro para o diagnóstico e estadiamento da doença. No caso de diverticulite Hinchey II, que envolve a formação de um abscesso pericólico ou pélvico, a abordagem inicial é frequentemente conservadora. Isso inclui repouso intestinal (jejum), hidratação venosa e antibioticoterapia para cobrir germes gram-negativos e anaeróbios. A presença de um abscesso maior que 3-4 cm, como o de 5 cm descrito na questão, geralmente requer drenagem percutânea guiada por imagem, que é eficaz na resolução da infecção e evita a necessidade de cirurgia em muitos casos. É crucial que o residente de cirurgia geral saiba diferenciar os estágios da diverticulite e aplicar o tratamento adequado. A cirurgia de Hartmann, que envolve ressecção do segmento acometido e colostomia terminal, é um procedimento mais invasivo e reservado para casos de peritonite difusa (Hinchey III e IV) ou quando o tratamento conservador falha, devido à sua maior morbimortalidade e impacto na qualidade de vida do paciente.
A diverticulite Hinchey II é caracterizada pela presença de um abscesso pericólico ou pélvico bem delimitado, geralmente com mais de 4-5 cm de diâmetro, sem peritonite difusa. É diagnosticada por tomografia computadorizada.
A conduta inicial para diverticulite Hinchey II inclui internamento, jejum, reposição hidroeletrolítica, antibioticoterapia de amplo espectro e, se o abscesso for acessível e de tamanho adequado, drenagem percutânea guiada por imagem.
A cirurgia de Hartmann é geralmente indicada em casos de diverticulite Hinchey III (peritonite purulenta) ou Hinchey IV (peritonite fecal), ou em pacientes com Hinchey II que falham ao tratamento conservador com drenagem percutânea e antibioticoterapia.
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