Diverticulite Aguda Complicada: Diagnóstico e Manejo

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 68 anos de idade, procurou pronto atendimento por dor hipogástrica há dois dias. Foi realizado exame de urina tipo I, com o seguinte resultado: hemácias ausentes, leucócitos 30.000/mm³, nitrito negativo. Recebeu diagnóstico de infecção urinária, sendo prescrito ciprofloxacino por 3 dias. Persistiu com o sintoma e apresentou episódios febris de até 38,5ºC, retornando ao pronto atendimento. Tem antecedente pessoal de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com temperatura 38,5ºC, pressão arterial 124x82mmHg, frequência cardíaca 88bpm. Abdome globoso, flácido, doloroso à palpação do hipogástrio, com plastrão palpável, sem sinais de peritonismo difuso. Os exames laboratoriais mostram: hemoglobina 13,2g/dL (VR 11,5 - 14,9g/dL); leucócitos 18.900/mm³ (VR 4.000 - 10.000/mm³); proteína C reativa 218mg/L (VR < 3mg/L); glicemia 301mg/dL; restante dos exames normais. Urina tipo I: hemácias ausentes, leucócitos 35.000/mm³ (VR < 10.000/mm³), nitrito negativo. Realizou a tomografia computadorizada de abdome total, mostra a seguir: Em relação ao caso clínico apresentado, podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) Trata-se de diverticulite aguda complicada, com indicação de antibioticoterapia endovenosa.
  2. B) Trata-se de pielonefrite obstrutiva, com indicação de antibioticoterapia endovenosa e desobstrução com cateter duplo J.
  3. C) Trata-se de cistite enfisematosa, com indicação de coleta de urocultura e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro.
  4. D) Trata-se de abscesso tubo-ovariano à esquerda, com indicação de antibioticoterapia endovenosa e salpingooforectomia esquerda.

Pérola Clínica

Plastrão abdominal + febre + leucocitose + PCR ↑ em idosa com DM = suspeitar diverticulite complicada.

Resumo-Chave

A persistência de sintomas e o surgimento de febre, associados a um plastrão palpável e marcadores inflamatórios elevados, sugerem uma complicação da diverticulite, como um abscesso ou flegmão, que requer investigação por imagem (TC) e tratamento com antibioticoterapia endovenosa.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma condição comum, especialmente em idosos, e pode se apresentar de forma complicada, como no caso de formação de plastrão ou abscesso. A suspeita clínica é crucial, especialmente quando há falha terapêutica inicial para outras condições como infecção urinária, e o paciente apresenta comorbidades como diabetes mellitus, que podem mascarar ou agravar o quadro. A dor hipogástrica, febre e massa palpável são achados importantes. O diagnóstico da diverticulite complicada é frequentemente confirmado por tomografia computadorizada de abdome total, que permite visualizar o espessamento da parede do cólon, inflamação da gordura pericólica e a presença de coleções líquidas ou abscessos. A leucocitose e a elevação da proteína C reativa são marcadores inflamatórios que corroboram a gravidade do quadro. A ausência de nitrito na urina, apesar da leucocitúria, deve levantar a suspeita de que a origem da infecção não é primariamente urinária. O tratamento da diverticulite aguda complicada geralmente envolve antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, cobrindo gram-negativos e anaeróbios. Em casos de abscessos maiores ou falha do tratamento clínico, pode ser necessária drenagem percutânea ou intervenção cirúrgica. O manejo da glicemia em pacientes diabéticos é fundamental, pois o descontrole glicêmico pode piorar o prognóstico de infecções.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para diverticulite complicada?

Sinais de alerta incluem dor abdominal persistente ou progressiva, febre alta, massa palpável (plastrão), sinais de peritonismo localizado ou difuso, e elevação acentuada de marcadores inflamatórios como PCR e leucócitos.

Por que o nitrito negativo na urina é relevante neste caso?

O nitrito negativo, apesar da leucocitúria, sugere que a infecção não é causada por bactérias gram-negativas comuns que convertem nitrato em nitrito, ou que a causa da inflamação não é primariamente uma infecção urinária bacteriana, direcionando a investigação para outras fontes de infecção/inflamação pélvica.

Qual a importância da tomografia computadorizada na diverticulite?

A tomografia computadorizada é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico de diverticulite, avaliar a extensão da doença, identificar complicações como abscessos, fístulas ou perfurações, e guiar a conduta terapêutica.

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