INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Homem de 55 anos de idade apresenta quadro de dor em fossa ilíaca esquerda. No exame físico, apresentava bom estado geral, frequência cardíaca de 90 batimentos por minuto, pressão arterial de 130 × 80 mmHg, frequência respiratória de 20 incursões respiratórias por minuto e temperatura axilar de 37,9 °C. O paciente realizou tomografia de abdome e pelve, que mostrou ausência de líquido livre e gás na cavidade peritoneal, discreta distensão de alças de delgado e cólons direito e transverso, espessamento de cólon descendente e abscesso pericolônico de 6 cm próximo à goteira parietocólica esquerda.Nesse caso, qual é a melhor conduta imediata?
Diverticulite complicada com abscesso > 4 cm: ATB IV + drenagem percutânea é a conduta inicial.
O quadro clínico e tomográfico é compatível com diverticulite aguda complicada com abscesso pericolônico. Abscessos maiores que 4 cm (neste caso, 6 cm) geralmente requerem drenagem percutânea guiada por imagem, além da antibioticoterapia venosa, para controle da infecção e resolução do quadro.
A diverticulite aguda é uma condição comum, especialmente em pacientes acima de 50 anos, caracterizada pela inflamação de divertículos no cólon, mais frequentemente no sigmoide. O quadro clínico típico inclui dor em fossa ilíaca esquerda, febre, náuseas e alterações do hábito intestinal. A tomografia computadorizada de abdome e pelve é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico e avaliar a presença de complicações. A diverticulite pode ser não complicada (inflamação localizada) ou complicada. As complicações incluem abscesso, fístula, obstrução e perfuração. A presença de um abscesso pericolônico, como no caso descrito (6 cm), classifica a diverticulite como complicada. A classificação de Hinchey é utilizada para graduar a gravidade da diverticulite complicada e guiar a conduta. Para abscessos diverticulares maiores que 4 cm, a conduta imediata mais adequada é a antibioticoterapia venosa de amplo espectro, cobrindo Gram-negativos e anaeróbios, associada à drenagem percutânea guiada por imagem. Essa abordagem minimamente invasiva visa controlar a infecção e pode evitar a necessidade de cirurgia de emergência, que é mais mórbida. A cirurgia (como o procedimento de Hartmann) é reservada para casos de falha da drenagem, peritonite difusa, perfuração livre ou sepse incontrolável.
A diverticulite é considerada complicada quando há presença de abscesso, fístula, obstrução ou perfuração livre, ao contrário da diverticulite não complicada que se manifesta apenas com inflamação.
A drenagem percutânea é o tratamento de escolha para abscessos diverticulares maiores que 4 cm, permitindo o controle da infecção sem a necessidade de cirurgia imediata. É realizada sob orientação de tomografia ou ultrassom.
O procedimento de Hartmann é uma cirurgia de emergência para diverticulite complicada com peritonite difusa, perfuração livre, falha da drenagem percutânea ou sepse incontrolável, envolvendo ressecção do segmento afetado e colostomia temporária.
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