INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma paciente com 60 anos, atendida no serviço de emergência de hospital terciário, apresenta quadro de dor abdominal de moderada intensidade há cerca de 3 dias, com piora há 2 dias, mais proeminente em fossa ilíaca esquerda com melhora após uso de analgésico comum. Tem antecedente de doença diverticular do cólon há 4 anos, com 2 episódios de diverticulite não complicada nos últimos 3 anos; constipação crônica com frequência evacuatória de 3 vezes por semana. Não está em uso de medicações nem apresenta outras comorbidades.Ao exame físico, encontra-se levemente desidratada; com temperatura de 37,9 °C; frequência cardíaca de 88 bpm; pressão arterial de 130 x 80 mmHg; abdome flácido, ruídos hidroaéreos presentes, doloroso à palpação profunda de quadrante inferior esquerdo, com plastrão palpável em região suprapúbica, sem dor à descompressão brusca do abdome.Com base nesse caso clínico, quais são, respectivamente, a hipótese diagnóstica e o exame para confirmação?
Diverticulite com plastrão palpável e febre → suspeitar de abscesso → TC com contraste para confirmação.
A presença de dor abdominal em fossa ilíaca esquerda, febre e um plastrão palpável em paciente com histórico de doença diverticular sugere uma diverticulite aguda complicada, provavelmente com formação de abscesso. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da complicação.
A diverticulite aguda é a inflamação de um ou mais divertículos do cólon, sendo mais comum no cólon sigmoide. Embora a maioria dos casos seja não complicada e possa ser tratada ambulatorialmente, cerca de 15-25% evoluem para complicações, como abscesso, fístula, perfuração ou obstrução. A história de dor em fossa ilíaca esquerda, febre e um plastrão palpável são fortes indicadores de uma complicação, especificamente um abscesso. O diagnóstico clínico é apoiado por exames de imagem. A tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste é o padrão-ouro para confirmar a diverticulite, identificar complicações e guiar o tratamento. Ela permite classificar a gravidade da doença, frequentemente usando a classificação de Hinchey, que orienta a conduta terapêutica, desde o tratamento conservador até a drenagem percutânea ou cirurgia. O manejo da diverticulite complicada com abscesso geralmente envolve antibioticoterapia de amplo espectro e, para abscessos maiores que 3-4 cm, drenagem percutânea guiada por imagem. A cirurgia é reservada para casos de falha da drenagem, peritonite difusa ou outras complicações graves. É crucial diferenciar a diverticulite complicada de outras condições abdominais agudas para evitar atrasos no tratamento adequado.
Sinais como febre persistente, massa palpável (plastrão), leucocitose significativa, piora da dor ou sinais de irritação peritoneal localizada indicam complicação, como abscesso ou perfuração.
A TC com contraste permite visualizar a inflamação diverticular, identificar abscessos, fístulas, perfurações e diferenciar de outras causas de dor abdominal, além de auxiliar na classificação da gravidade (Hinchey).
A diverticulite não complicada envolve apenas inflamação do divertículo, enquanto a complicada inclui perfuração (com abscesso, fístula ou peritonite) ou obstrução. O manejo difere significativamente.
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