UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2024
S.A.P., 57 anos, feminina, hipertensa controlada (com uso de atenolol, losartana e hidroclorotiazida), procura atendimento médico com queixa de dor abdominal em fossa ilíaca esquerda de início há 4 dias, associada, náuseas, febre e calafrios. Frequência cardíaca: 98bpm, pressão arterial: 110/70mmHg, abdome doloroso difusamente à palpação, com defesa em quadrante inferior esquerdo, sem sinais de irritação peritoneal. Hemoglobina: 13,1mg/dL, Leucócitos: 17.200/mm³, Proteína C Reativa (PCR): 54mg/dL. Tomografia de abdome mostra divertículos em sigmoide, associado a espessamento parietal deste segmento e densificação dos planos adiposos pericólicos, abscesso pericólico de 3 cm, com focos gasosos adjacentes. Assinale a alternativa com a conduta terapêutica imediata mais apropriada para o caso:
Diverticulite aguda + abscesso < 4-5 cm (Hinchey II) → ATB IV + observação.
O caso descreve um quadro de diverticulite aguda complicada com um abscesso pericólico de 3 cm, sem sinais de irritação peritoneal generalizada. De acordo com a classificação de Hinchey modificada, um abscesso pericólico pequeno (geralmente < 4-5 cm) é manejado inicialmente com antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, com drenagem percutânea reservada para abscessos maiores ou que não respondem ao tratamento conservador.
A diverticulite aguda é uma condição inflamatória dos divertículos do cólon, mais frequentemente no sigmoide. Sua incidência aumenta com a idade e pode variar de um quadro leve e não complicado a uma doença grave com perfuração, abscesso, fístula ou peritonite. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica (dor em fossa ilíaca esquerda, febre, leucocitose) e confirmado por tomografia computadorizada de abdome. A classificação de Hinchey modificada é amplamente utilizada para estadiar a gravidade da diverticulite e guiar a conduta. O caso descrito, com divertículos em sigmoide, espessamento parietal, densificação dos planos adiposos pericólicos e um abscesso pericólico de 3 cm, corresponde a uma diverticulite aguda complicada, geralmente classificada como Hinchey II. A conduta terapêutica imediata para diverticulite aguda complicada com abscesso pericólico pequeno (geralmente < 4-5 cm) é a antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, cobrindo bactérias gram-negativas e anaeróbios. A maioria desses abscessos responde ao tratamento conservador. A drenagem percutânea é reservada para abscessos maiores ou para aqueles que não respondem aos antibióticos. A cirurgia de Hartmann é uma opção para casos de peritonite generalizada ou falha de outras abordagens, não sendo a conduta inicial para um abscesso pequeno e contido.
A diverticulite aguda é classificada pela escala de Hinchey modificada, que varia de estágio 0 (diverticulite leve) a IV (peritonite fecal). O abscesso pericólico de 3 cm se enquadra geralmente em Hinchey II, indicando um abscesso pericólico contido.
A drenagem percutânea é geralmente indicada para abscessos maiores que 4-5 cm ou para abscessos menores que não respondem à antibioticoterapia endovenosa inicial, ou em pacientes com piora clínica, para evitar progressão da infecção.
Sinais de alerta incluem peritonite generalizada, pneumoperitônio (perfuração livre), instabilidade hemodinâmica, falha da terapia conservadora, abscesso grande não drenável ou fístula, que podem indicar a necessidade de intervenção cirúrgica de emergência.
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