Diverticulite Complicada em Diabéticos: Conduta Essencial

Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente de 63 anos diabetica é diagnosticada com diverticulite aguda, primeiro episódio, no exame de imagem se observa leve espessamento da parede do sigmoide associado a um pequeno abscesso de 2 cm e a divertículos sem outras complicações. Apresenta dor em fossa ilíaca esquerda sem descompressão brusca e, nos exames laboratoriais, uma leucometria normal associada a uma PCR de 8.35. O tratamento adequado consiste em:

Alternativas

  1. A) analgesia oral e seguimento ambulatorial.
  2. B) punção e drenagem por rádio intervenção.
  3. C) retossigmoidectomia a Hartmann.
  4. D) tratamento ambulatorial e antibiótico oral.
  5. E) internação hospitalar e antibioticoterapia parenteral.

Pérola Clínica

Diverticulite com abscesso < 3-4 cm, especialmente em diabéticos → Internação + ATB parenteral.

Resumo-Chave

A presença de um pequeno abscesso (2 cm) na diverticulite aguda classifica-a como complicada (Hinchey Ib). Em pacientes com comorbidades como diabetes, a internação hospitalar e a antibioticoterapia parenteral são o tratamento adequado, mesmo com sintomas sistêmicos leves, devido ao maior risco de progressão e complicações.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma condição inflamatória do cólon que pode variar de leve a grave. A presença de um abscesso, mesmo que pequeno (2 cm), classifica o episódio como diverticulite aguda complicada (Hinchey Ib). Em pacientes com comorbidades significativas, como o diabetes mellitus, o risco de progressão da doença e de complicações graves é substancialmente maior, mesmo que os sinais sistêmicos iniciais (leucometria normal, PCR discretamente elevada) não sejam alarmantes. Nesse cenário, o tratamento ambulatorial com antibióticos orais, que seria uma opção para diverticulite não complicada em pacientes de baixo risco, é inadequado. A conduta apropriada para diverticulite complicada com abscesso em um paciente diabético envolve a internação hospitalar para monitoramento rigoroso e a administração de antibioticoterapia parenteral de amplo espectro. Isso garante uma cobertura eficaz contra bactérias gram-negativas e anaeróbios, que são os principais patógenos envolvidos. Para o residente, é crucial reconhecer que a presença de comorbidades e de complicações anatômicas (como o abscesso) altera significativamente o plano de manejo da diverticulite. A decisão entre tratamento ambulatorial e internação, e entre antibióticos orais e parenterais, deve ser baseada na avaliação global do paciente, incluindo a gravidade clínica, a extensão da doença no exame de imagem e a presença de fatores de risco.

Perguntas Frequentes

Quando a diverticulite aguda é considerada complicada?

A diverticulite aguda é considerada complicada na presença de abscesso, fístula, perfuração livre ou obstrução. A classificação de Hinchey é utilizada para estadiar a gravidade, sendo Hinchey Ib a presença de um abscesso pericólico ou mesentérico pequeno.

Qual a importância do diabetes mellitus no manejo da diverticulite aguda?

O diabetes mellitus é uma comorbidade que aumenta o risco de complicações na diverticulite aguda, como formação de abscesso, perfuração e sepse, além de poder mascarar a resposta inflamatória. Por isso, pacientes diabéticos com diverticulite complicada geralmente requerem uma abordagem mais agressiva, como internação e antibióticos intravenosos.

Qual o tratamento inicial para um abscesso diverticular pequeno (até 3-4 cm)?

Para abscessos pequenos (geralmente < 3-4 cm), o tratamento inicial consiste em internação hospitalar, repouso intestinal (dieta zero ou líquida) e antibioticoterapia parenteral de amplo espectro. A drenagem percutânea é reservada para abscessos maiores ou que não respondem ao tratamento conservador.

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