Diverticulite Complicada: Drenagem de Abscesso Abdominal

IOVALE - Instituto de Olhos do Vale (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem de 68 anos apresenta dor em fossa ilíaca esquerda, hiporexia e febre não aferida há 3 dias. AP: diabético e hipertenso controlado. EF: BEG, hidratado, corado, afebril, dor à palpação em fossa ilíaca esquerda, com reação peritoneal local. Raio x de abdome: normal. TC abdome: divertículos em cólon sigmoide com espessamento de sua parede e presença de coleção líquida em goteira parietocólica esquerda, de aproximadamente 150 mL. A conduta mais adequada é :

Alternativas

  1. A) colonoscopia.
  2. B) drenagem percutânea guiada por tomografia ou ultrassonografia.
  3. C) hemicolectomia esquerda com reconstrução primária.
  4. D) cirurgia de Hartmann.

Pérola Clínica

Diverticulite aguda com abscesso > 4 cm → drenagem percutânea guiada por imagem + antibióticos.

Resumo-Chave

O paciente apresenta diverticulite aguda complicada com um abscesso de 150 mL (considerado grande, > 4-5 cm). Nesses casos, a drenagem percutânea guiada por imagem, associada a antibioticoterapia, é a conduta inicial mais adequada para controlar a infecção e evitar cirurgia de emergência.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma condição comum, especialmente em idosos, caracterizada pela inflamação ou infecção de um ou mais divertículos no cólon, mais frequentemente no sigmoide. A doença diverticular é prevalente, mas apenas uma minoria dos pacientes desenvolve diverticulite. A apresentação clínica típica inclui dor em fossa ilíaca esquerda, febre, náuseas e alteração do hábito intestinal. A diverticulite pode ser classificada como não complicada ou complicada. A presença de um abscesso, como no caso, caracteriza uma diverticulite complicada (Hinchey II). O diagnóstico é confirmado por tomografia computadorizada de abdome, que permite avaliar a extensão da inflamação e a presença de complicações como abscessos, fístulas ou perfurações. O manejo da diverticulite complicada com abscesso depende do tamanho do abscesso. Abscessos maiores que 4-5 cm geralmente requerem drenagem percutânea guiada por imagem (TC ou USG), associada a antibioticoterapia de amplo espectro. A cirurgia (Hartmann ou ressecção primária com anastomose) é reservada para casos de falha da drenagem, peritonite difusa, perfuração livre ou obstrução intestinal. A colonoscopia é contraindicada na fase aguda devido ao risco de perfuração.

Perguntas Frequentes

Quando a diverticulite é considerada complicada?

A diverticulite é considerada complicada quando há presença de abscesso, fístula, obstrução ou perfuração livre, diferentemente da diverticulite não complicada que se manifesta apenas com inflamação local.

Qual a classificação de Hinchey e sua relevância na diverticulite?

A classificação de Hinchey estadiifica a diverticulite complicada: I (abscesso pericólico pequeno), II (abscesso pélvico/distante), III (peritonite purulenta generalizada) e IV (peritonite fecal generalizada), guiando a conduta terapêutica.

Qual o papel da antibioticoterapia na diverticulite com abscesso?

A antibioticoterapia é fundamental no tratamento da diverticulite com abscesso, cobrindo bactérias gram-negativas e anaeróbios, e deve ser iniciada prontamente, geralmente em conjunto com a drenagem percutânea.

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