UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020
Idoso, 75 anos, apresenta constipação intestinal crônica e relato de recente de dor na fossa ilíaca esquerda, associada a febre. Palpação abdominal revela massa palpável na fossa ilíaca esquerda. TC de abdome e pelve demonstra divertículos cólicos, com predomínio no sigmoide associados neste a espessamento parietal concêntrico, infiltração da gordura peritoneal adjacente com focos gasosos de permeio. O diagnóstico para esse caso é de:
Diverticulite aguda com abscesso: dor FIE + febre + massa palpável + TC com divertículos, espessamento, infiltração gordura e focos gasosos.
A presença de divertículos cólicos, espessamento parietal, infiltração da gordura peritoneal adjacente e focos gasosos na TC, em um paciente com dor na fossa ilíaca esquerda e febre, é altamente sugestiva de diverticulite aguda. A massa palpável e os focos gasosos indicam uma complicação, como abscesso ou perfuração contida, sendo o abscesso a descrição mais precisa para essa combinação de achados.
A doença diverticular do cólon é uma condição comum, especialmente em idosos, e sua complicação mais frequente é a diverticulite aguda. A diverticulite ocorre quando um divertículo se inflama, podendo levar a complicações como perfuração, abscesso, fístula ou obstrução. A compreensão da apresentação clínica e dos achados de imagem é fundamental para o diagnóstico e manejo adequados, evitando morbidade e mortalidade significativas. A prevalência aumenta com a idade e está associada a fatores dietéticos e de estilo de vida. O diagnóstico da diverticulite aguda é primariamente clínico, com dor abdominal no quadrante inferior esquerdo, febre e leucocitose. No entanto, a tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da inflamação e identificar complicações. Achados como espessamento da parede do cólon, infiltração da gordura pericólica e a presença de divertículos são típicos. A identificação de focos gasosos extraluminais ou coleções líquidas sugere perfuração contida ou formação de abscesso, respectivamente. O tratamento da diverticulite varia conforme a gravidade e a presença de complicações. Casos não complicados podem ser tratados ambulatorialmente com antibióticos e repouso intestinal. No entanto, a presença de um abscesso (como no caso descrito) requer uma abordagem mais agressiva, que pode incluir internação, antibióticos intravenosos e, frequentemente, drenagem percutânea do abscesso. A cirurgia é reservada para casos de falha do tratamento conservador, peritonite generalizada ou outras complicações graves. A classificação de Hinchey é uma ferramenta valiosa para estratificar a gravidade e guiar a conduta terapêutica.
Na TC, a diverticulite aguda com abscesso é caracterizada por divertículos cólicos, espessamento parietal do cólon (geralmente sigmoide), infiltração da gordura mesentérica adjacente (stranding) e a presença de uma coleção líquida ou gás extraluminal, que representa o abscesso. Focos gasosos de permeio na gordura adjacente são um forte indicativo de perfuração contida ou abscesso.
Os sintomas incluem dor abdominal no quadrante inferior esquerdo (fossa ilíaca esquerda), febre, náuseas, vômitos e alteração do hábito intestinal. A presença de uma massa palpável na fossa ilíaca esquerda e sinais de peritonite localizada podem indicar a formação de um abscesso ou outra complicação.
A classificação de Hinchey estadiou a diverticulite aguda complicada, sendo crucial para guiar o tratamento. Hinchey I (abscesso pericólico) e II (abscesso pélvico, distante) podem ser tratados com antibióticos e drenagem percutânea, respectivamente. Hinchey III (peritonite purulenta generalizada) e IV (peritonite fecal generalizada) geralmente requerem cirurgia de emergência, como a cirurgia de Hartmann.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo