USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Homem, 72 anos de idade, procura o Serviço de Urgência devido à dor no flanco e na fossa ilíaca esquerdos há 2 dias. Fez uso de analgésico sem melhora. Refere ser constipado e está sem evacuar há três dias. Nega febre e relata perda de apetite. Tem diabete melito e hipertensão arterial controlados. Ao exame clínico, encontra-se em bom estado geral; IMC 30,2 kg/m²; FC 80 bpm; PA 130x80 mmHg; sem alterações da ausculta torácica; abdome globoso, flácido, doloroso à palpação do flanco e da fossa ilíaca esquerdos, com sinal de irritação peritoneal neste local; ruídos hidroaéreos presentes; e toque retal com fezes na ampola. Exames laboratoriais: Hb 13,1 g/dL; Ht 38%; Leucócitos 15.693/mm³; PCR 138 mg/L.Tomografia apresentada. Qual é a melhor conduta neste momento?
Diverticulite aguda não complicada (Hinchey I/II sem abscesso grande) → tratamento clínico com antibióticos e repouso intestinal.
O quadro clínico de dor em fossa ilíaca esquerda, febre (indireta pela leucocitose/PCR), constipação e irritação peritoneal, em idoso, sugere diverticulite aguda. A conduta inicial depende da gravidade e presença de complicações, sendo o tratamento clínico a escolha para casos não complicados.
A diverticulite aguda é uma condição inflamatória comum do cólon, especialmente em idosos, e representa um desafio diagnóstico e terapêutico frequente na urgência. Caracteriza-se pela inflamação ou infecção de um ou mais divertículos, geralmente no cólon sigmoide, manifestando-se com dor em fossa ilíaca esquerda, febre, leucocitose e, por vezes, sinais de irritação peritoneal. A obesidade e a constipação são fatores de risco importantes. O diagnóstico é primariamente clínico, mas a tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste é o exame de imagem de escolha para confirmar a diverticulite, avaliar sua extensão e identificar complicações como abscessos, perfurações ou fístulas. A classificação de Hinchey é utilizada para estadiar a gravidade da doença e guiar a conduta, sendo os estágios I e II (abscessos pequenos e peridiverticulite) geralmente manejados clinicamente. A conduta inicial para diverticulite não complicada (Hinchey I e II com abscesso pequeno) é o tratamento clínico, que inclui repouso intestinal (dieta líquida ou jejum), hidratação intravenosa e antibioticoterapia de amplo espectro. A cirurgia (colectomia) é reservada para casos complicados (perfuração, peritonite difusa, fístula, obstrução) ou para pacientes com falha do tratamento clínico. A drenagem percutânea é uma opção para abscessos maiores (> 4 cm). A questão descreve um cenário de diverticulite aguda sem sinais claros de complicação grave que exija intervenção imediata, favorecendo o tratamento clínico.
A diverticulite aguda tipicamente se manifesta com dor abdominal no quadrante inferior esquerdo, febre, náuseas, vômitos, alteração do hábito intestinal (constipação ou diarreia) e leucocitose.
O tratamento clínico é a conduta inicial para diverticulite aguda não complicada (Hinchey I e II com abscesso < 4 cm), envolvendo repouso intestinal, hidratação e antibioticoterapia de amplo espectro.
As complicações incluem abscesso (drenagem percutânea ou cirúrgica), perfuração (cirurgia de urgência), fístula e obstrução. A abordagem depende da gravidade e tipo de complicação, guiada por exames de imagem.
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