Diverticulite Aguda: Diagnóstico por Imagem e Conduta

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 65 anos, com antecedente de hipertensão arterial sistêmica e câncer de mama, iniciou quadro de dor abdominal em abdome inferior há 3 dias, associado a febre baixa de 37,9 ºC. Nega alterações de hábito intestinal no período ou previamente, bem como nega náuseas, vômitos, perda de peso e sintomas urinários. Refere episódio prévio de dor semelhante há 6 meses, de menor intensidade, com resolução espontânea. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com frequência cardíaca de 82 bpm e pressão arterial de 140x90 mmHg. Abdome globoso, normodistendido, ruídos hidroaéreos presentes, sem visceromegalias ou massas palpáveis, doloroso à palpação de hipogastro e fossa ilíaca esquerda, sem sinais de irritação peritoneal. Toque retal sem alterações. Exames laboratoriais iniciais: hemoglobina: 13,2 g/dL; hematócrito: 40%; leucograma: 12.770 µL; amilase: 69 µL (0-110); creatinina: 1,0 mg/dL. Levando em conta a principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta nesse momento.

Alternativas

  1. A) Jejum, sintomáticos e preparo de cólon para colonoscopia.
  2. B) Jejum, sintomáticos e tomografia computadorizada de abdome com contraste.
  3. C) Dieta leve sem resíduos, ceftriaxone e metronidazol e tomografia de abdome com contraste.
  4. D) Sintomáticos, orientações de sinais de alarme e investigação ambulatorial.

Pérola Clínica

Dor em FIE + Febre + Leucocitose → TC de abdome com contraste (Padrão-ouro).

Resumo-Chave

A suspeita de diverticulite aguda exige confirmação e estadiamento por Tomografia Computadorizada para definir a gravidade e o manejo (clínico vs cirúrgico).

Contexto Educacional

A diverticulite aguda resulta da micro ou macroperfuração de um divertículo colônico, mais comumente no sigmoide. O quadro clínico clássico envolve dor na fossa ilíaca esquerda ('apendicite à esquerda'), febre e alterações laboratoriais inflamatórias. O diagnóstico padrão-ouro é a Tomografia Computadorizada de abdome e pelve com contraste venoso, que apresenta alta sensibilidade e especificidade. O manejo inicial depende da gravidade: casos leves podem ser tratados com dieta e sintomáticos, enquanto casos complicados com abscessos maiores que 3-4 cm podem exigir drenagem percutânea, e peritonite generalizada requer cirurgia. A investigação do cólon por colonoscopia deve ser postergada por 4 a 6 semanas após a resolução do quadro agudo para excluir neoplasia maligna mimetizada pela inflamação.

Perguntas Frequentes

Por que a TC é preferível à colonoscopia na fase aguda?

Na fase aguda da diverticulite, a parede do cólon está inflamada e fragilizada. A insuflação de ar durante a colonoscopia pode causar perfuração. A TC de abdome com contraste é o exame de escolha, pois permite avaliar a extensão da inflamação extraluminal e identificar complicações como abscessos ou ar livre sem risco de perfuração.

Quando indicar tratamento ambulatorial na diverticulite?

O tratamento ambulatorial pode ser considerado em casos de diverticulite não complicada (Hinchey 0 ou Ia) em pacientes sem sinais de sepse, capazes de tolerar dieta por via oral e que possuam bom suporte social. No entanto, a confirmação diagnóstica por imagem (TC) é recomendada antes de decidir pela alta.

Qual o papel da Classificação de Hinchey?

A Classificação de Hinchey, baseada em achados tomográficos, estratifica a gravidade da diverticulite: Hinchey I (abscesso pericólico), II (abscesso pélvico), III (peritonite purulenta) e IV (peritonite fecal). Ela é fundamental para decidir entre tratamento clínico conservador, drenagem percutânea ou cirurgia de urgência.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo