Diverticulite Aguda: Quando Optar pelo Tratamento Ambulatorial?

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 53 anos de idade, previamente hígida, procura o pronto atendimento por dor em hipogástrio e fossa ilíaca esquerda há três dias. Nega náuseas, vômitos ou febre. Relata última evacuação no dia de início do quadro álgico. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, normocorada e afebril. O abdome está globoso, flácido, doloroso à palpação de fossa ilíaca esquerda, sem sinais de irritação peritoneal. Foi realizada analgesia, evoluindo com bom controle álgico. Os exames laboratoriais revelaram leucócitos de 13.100/mm³ e PCR 12 mg/dL, sem demais alterações. A tomografia de abdome não revelou coleções, líquido livre ou pneumoperitônio, com as únicas alterações ilustradas a seguir: Considerando a principal hipótese diagnóstica para o caso, qual é o tratamento indicado neste momento?

Alternativas

  1. A) Internação hospitalar e antibioticoterapia endovenosa.
  2. B) Terapia medicamentosa e seguimento ambulatorial.
  3. C) Fleet enema e antibioticoterapia via oral.
  4. D) Internação hospitalar e realização de colonoscopia.

Pérola Clínica

Diverticulite não complicada (Hinchey Ia) + sem sinais de alarme → Tratamento ambulatorial.

Resumo-Chave

Pacientes com diverticulite aguda Hinchey Ia, estáveis e com boa aceitação oral, podem ser manejados ambulatorialmente com dieta e sintomáticos.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma das principais causas de abdome agudo inflamatório em adultos. A tomografia de abdome é o padrão-ouro para o diagnóstico e estadiamento, permitindo classificar a gravidade conforme os critérios de Hinchey modificados. O caso clínico apresenta uma paciente com Hinchey Ia (apenas inflamação, sem coleções ou ar livre). A tendência atual da cirurgia colorretal é a descalonização do tratamento para casos leves. O manejo ambulatorial reduz custos hospitalares e riscos de infecção nosocomial, desde que o paciente tenha suporte social e compreensão dos sinais de alerta para retorno imediato (piora da dor, febre ou vômitos).

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para tratamento ambulatorial na diverticulite?

Os critérios incluem: diverticulite não complicada (Hinchey Ia na TC), ausência de sinais de irritação peritoneal, estabilidade hemodinâmica, ausência de febre alta, boa aceitação de dieta oral, ausência de comorbidades graves e garantia de seguimento médico próximo.

É sempre necessário usar antibiótico na diverticulite não complicada?

Diretrizes recentes sugerem que em casos selecionados de diverticulite aguda não complicada em pacientes hígidos, o uso de antibióticos pode ser omitido. No entanto, na prática de pronto atendimento e para pacientes com PCR elevada ou leucocitose, a antibioticoterapia oral ainda é frequentemente prescrita.

Como é a Classificação de Hinchey?

Hinchey Ia refere-se à inflamação pericólica isolada (fleimão); Ib é abscesso pericólico; II é abscesso pélvico ou retroperitoneal; III é peritonite purulenta generalizada; e IV é peritonite fecal. Apenas o estágio Ia (e alguns casos de Ib pequenos) permite manejo conservador inicial.

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