HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Mulher de 69 anos, previamente HAS e com histórico de constipação funcional de longa data, procura avaliação clínica por quadro de febre e dor em abdome inferior esquerdo há 2 dias. Última evacuação há um dia, em pequena quantidade, com piora da dor ao evacuar, com presença de pequena quantidade de sangue vivo nas fezes. Nega vômitos, refere mal estar e náuseas associadas. Ao exame, apresenta-se febril, corada, hidratada, anictérica, aparelhos cardiovascular e respiratório sem alterações exceto FC 90 bpm, abdome plano, com dor a palpação em fossa ilíaca esquerda, descompressão brusca negativa em fossa ilíaca esquerda, e massa palpável de aproximadamente 2cm de diâmetro na fossa ilíaca esquerda com dor de forte intensidade à palpação desta. Feito TC, que evidenciou inflamação em cólon descendente distal e sigmoide, com divertículos e abscesso de 2cm de diâmetro em sigmoide, sem sinais de líquido ou ar em cavidade abdominal. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Dor FIE + febre + massa palpável + divertículos na TC → Diverticulite aguda com abscesso.
A diverticulite aguda é a inflamação dos divertículos, comum em idosos com histórico de constipação. A dor em fossa ilíaca esquerda, febre e alteração do hábito intestinal são sintomas típicos. A presença de uma massa palpável e abscesso na TC confirmam um quadro mais complicado, exigindo manejo específico.
A diverticulite aguda é uma condição inflamatória comum que afeta os divertículos, pequenas saculações na parede do cólon, mais frequentemente no cólon sigmoide. É prevalente em indivíduos mais velhos, com histórico de constipação crônica e dieta pobre em fibras. A epidemiologia mostra um aumento da incidência com a idade, afetando cerca de 10-25% dos indivíduos com diverticulose. Sua importância clínica reside no potencial de complicações graves, como abscessos, perfuração, fístulas e obstrução. A fisiopatologia envolve a obstrução do colo de um divertículo por fecalito ou alimento não digerido, levando à inflamação, isquemia e, eventualmente, microperfuração. Os sintomas típicos incluem dor em fossa ilíaca esquerda, febre, náuseas, vômitos e alteração do hábito intestinal. O diagnóstico é primariamente clínico, mas a tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve é o exame de imagem de escolha para confirmar a diverticulite, avaliar a extensão da inflamação e identificar complicações como abscessos, como no caso descrito. O tratamento da diverticulite aguda varia conforme a gravidade. Casos não complicados podem ser tratados ambulatorialmente com antibióticos orais e dieta líquida. No entanto, a presença de um abscesso, como evidenciado na TC, indica uma diverticulite complicada. Abscessos menores (geralmente <3-4 cm) podem ser manejados com antibioticoterapia intravenosa, enquanto abscessos maiores podem necessitar de drenagem percutânea guiada por imagem. A cirurgia é reservada para casos de falha do tratamento conservador, perfuração livre ou outras complicações graves.
Os sintomas clássicos da diverticulite aguda incluem dor abdominal em fossa ilíaca esquerda (o mais comum), febre, náuseas, vômitos, alteração do hábito intestinal (constipação ou diarreia) e, ocasionalmente, sangramento retal.
A tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico de diverticulite aguda, avaliar sua gravidade, identificar complicações como abscessos ou perfurações, e excluir outros diagnósticos diferenciais.
Um abscesso diverticular é classificado como Hinchey Ib (abscesso pericólico) ou II (abscesso pélvico, distante). A conduta inicial para abscessos menores que 3-4 cm geralmente envolve antibioticoterapia intravenosa. Abscessos maiores podem requerer drenagem percutânea guiada por imagem.
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