Diverticulite Aguda: Diagnóstico por Imagem e Conduta

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um homem obeso de 47 anos chega ao pronto-socorro com história de 2 dias de dor aguda e constante no quadrante inferior esquerdo, que piora com esforço e está associada a febre subjetiva. Esse é o primeiro episódio de dor do paciente. Seus sinais vitais estão normais e ele não apresenta outras queixas. Ao exame do abdome ele apresenta sensibilidade moderada no quadrante inferior esquerdo e um hemograma mostra leucocitose leve de 13.000/μL. Em relação ao paciente descrito, qual é o melhor exame para confirmar sua suspeita diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Radiografia simples de abdome;
  2. B) Ressonância Nuclear Magnética do abdome;
  3. C) Tomografia computadorizada do abdome e pelve com contraste intravenoso;
  4. D) Tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste retal.

Pérola Clínica

Dor em QIE + Febre + Leucocitose → TC de abdome/pelve com contraste IV (Padrão-ouro).

Resumo-Chave

A TC com contraste intravenoso é o exame de escolha para confirmar diverticulite, avaliar a gravidade (Hinchey) e identificar complicações como abscessos ou perfurações.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma das principais causas de abdome agudo inflamatório em adultos. O quadro clínico clássico envolve dor no quadrante inferior esquerdo, febre e alterações do hábito intestinal. A obesidade é um fator de risco importante. O diagnóstico baseia-se na suspeita clínica confirmada por exames de imagem. A TC desempenha papel crucial não apenas no diagnóstico, mas no estadiamento através da Classificação de Hinchey, que diferencia entre doença não complicada (estágio 0 e Ia) e complicada (Ib a IV), orientando entre tratamento ambulatorial com antibióticos ou intervenção cirúrgica de urgência.

Perguntas Frequentes

Qual a sensibilidade da TC no diagnóstico da diverticulite?

A tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste intravenoso apresenta sensibilidade e especificidade superiores a 90-95% para o diagnóstico de diverticulite aguda. Ela permite visualizar não apenas o espessamento da parede colônica e o borramento da gordura pericólica, mas também complicações extraluminais, como ar livre (perfuração), coleções líquidas (abscessos) e fístulas. O uso do contraste intravenoso é essencial para a caracterização de abscessos e realce inflamatório da parede intestinal.

Quando o contraste retal ou oral é indicado na suspeita de diverticulite?

Embora o contraste intravenoso seja o componente mais importante para avaliar a inflamação e vascularização, o contraste retal ou oral pode ser adicionado em casos de dúvida diagnóstica ou quando se suspeita de fístulas. No entanto, na maioria dos protocolos de urgência, o contraste IV isolado é suficiente para o diagnóstico e estadiamento inicial pela classificação de Hinchey, evitando o desconforto e o tempo adicional necessários para o preparo com contraste enteral.

Por que evitar a colonoscopia na fase aguda da diverticulite?

A colonoscopia é formalmente contraindicada na fase aguda da diverticulite (geralmente nas primeiras 4 a 6 semanas) devido ao alto risco de perfuração iatrogênica. A insuflação de ar em um cólon com inflamação transmural e microperfurações bloqueadas pode converter uma diverticulite simples em uma perfuração livre com peritonite fecal. O exame endoscópico deve ser realizado eletivamente após a resolução do quadro inflamatório para excluir neoplasia colorretal mimetizando diverticulite.

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