Diverticulite Aguda: Conduta e Tratamento Conservador

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023

Enunciado

Homem de 56 anos, previamente saudável, comparece à emergência com queixa de dor na fossa ilíaca esquerda (FIE) e obstipação progressiva há 4 dias. O paciente não defeca há 2 dias e elimina poucos flatos. Refere ainda 2 episódios de febre 38 graus celsius. Ao exame: bom estado geral, FC 96bpm, abdome algo distendido, RHA diminuídos, flácido a palpação com defesa em FIE, onde se palpa um plastrão. Exames Leucócitos 16000 mm3 e PCR 15 mg/dL. Tomografia mostra distensão colônica moderada, espessamento da parede de sigmoide com borramento discreto da gordura mesocólica adjacente. Sem outros achados. Qual a melhor conduta para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Tratar com antibióticos venosos e programar colectomia eletiva.
  2. B) Indicar colostomia proximal, antibióticos para aliviar essa crise.
  3. C) Realizar colectomia com colostomia a Hartman nesse internamento.
  4. D) Tratar com antibióticos orais e manter uma dieta líquida até alívio da obstipação.

Pérola Clínica

Diverticulite aguda não complicada (sem abscesso/peritonite): tratamento conservador com ATB oral e dieta líquida.

Resumo-Chave

O caso clínico descreve um quadro de diverticulite aguda não complicada, evidenciado pela presença de plastrão e alterações inflamatórias na TC sem abscesso significativo ou sinais de peritonite difusa. Nesses casos, a conduta inicial é conservadora, com antibióticos orais e dieta líquida, visando reduzir a inflamação e aliviar os sintomas.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma condição inflamatória do cólon que se manifesta com dor abdominal, geralmente na fossa ilíaca esquerda, febre e alterações do hábito intestinal. A patogênese envolve a inflamação ou perfuração de um divertículo colônico. O diagnóstico é primariamente clínico, mas a tomografia computadorizada de abdome e pelve é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da doença e identificar complicações, sendo crucial para guiar a conduta terapêutica. O manejo da diverticulite aguda depende da sua gravidade e da presença de complicações. A classificação de Hinchey é amplamente utilizada para estratificar o risco e orientar o tratamento. Casos de diverticulite não complicada (Hinchey I e IIa), como o descrito na questão, caracterizados por inflamação pericólica ou pequenos abscessos, são geralmente tratados de forma conservadora. Este tratamento inclui repouso intestinal (dieta líquida ou restrição alimentar inicial), hidratação e antibioticoterapia. Para pacientes com diverticulite não complicada que toleram a via oral e não apresentam sinais de sepse grave, o tratamento ambulatorial com antibióticos orais (cobrir gram-negativos e anaeróbios) é seguro e eficaz. A cirurgia, seja de emergência (colectomia com ou sem colostomia) ou eletiva, é reservada para casos complicados (perfuração livre, abscesso grande, obstrução) ou para pacientes com episódios recorrentes. Residentes devem dominar a classificação de Hinchey e as indicações para tratamento conservador versus cirúrgico para otimizar o cuidado ao paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar uma diverticulite aguda como 'não complicada'?

Uma diverticulite é considerada não complicada quando não há evidência de abscesso, perfuração livre, fístula ou obstrução intestinal. A classificação de Hinchey é frequentemente utilizada, onde os estágios I e IIa (flegmão ou abscesso pericólico pequeno) podem ser manejados conservadoramente.

Quando a cirurgia é indicada na diverticulite aguda?

A cirurgia de emergência é indicada em casos de diverticulite complicada, como perfuração livre com peritonite difusa (Hinchey III e IV), abscesso grande não drenável percutaneamente, obstrução intestinal completa ou fístula. A colectomia eletiva pode ser considerada após múltiplos episódios de diverticulite não complicada ou em casos de diverticulite crônica sintomática.

Quais antibióticos orais são geralmente utilizados no tratamento da diverticulite aguda não complicada?

Os antibióticos orais para diverticulite aguda não complicada devem cobrir bactérias gram-negativas e anaeróbias. Combinações comuns incluem ciprofloxacino ou levofloxacino com metronidazol, ou amoxicilina-clavulanato. A duração do tratamento geralmente varia de 7 a 10 dias.

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