Diverticulite Aguda: Diagnóstico e Conduta Inicial

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2022

Enunciado

Paciente do sexo masculino, com 40 anos de idade, chega ao PS com dor abdominal peri-umbilical e FIE há 48h, calafrios e febre na noite anterior. Sem queixas urinárias, evacuações presentes nas últimas 24h. Regular estado geral, hemodinamicamente estável, e, ao exame físico do abdome, chama atenção a percepção de massa em FIE bem delimitada à palpação profunda, cerca de 10 cm de diâmetro, dolorosa e parcialmente móvel. Antecedentes pessoais: DM, tabagista, constipação crônica. Com os dados fornecidos, analise as alternativas e assinale a que melhor se enquadre ao provável diagnóstico e condução clínica durante o atendimento inicial:

Alternativas

  1. A) Podemos utilizar como primeira hipótese diagnóstica e conduta a neoplasia de sigmoide, tendo como conduta inicial a internação hospitalar com realização de preparo de cólon e colonoscopia.
  2. B) Trata-se de abdome agudo inflamatório com indicação de tratamento cirúrgico imediato.
  3. C) A possibilidade de doença diverticular aguda, deve ser considerada fortemente, exames laboratoriais de urgência e método de imagem complementar como tomografia de abdome auxiliarão a definição da conduta definitiva.
  4. D) Abdome agudo obstrutivo é a hipótese inicial correta, hidratação, rotina radiológica para abdome agudo e a sondagem nasogástrica descompressiva, são as ações esperadas para uma boa condução do caso. 

Pérola Clínica

Dor em FIE + febre + massa palpável + constipação crônica → Diverticulite aguda. TC de abdome é padrão ouro para diagnóstico e estadiamento.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor em fossa ilíaca esquerda, febre, calafrios e massa palpável em um paciente com fatores de risco como constipação crônica é altamente sugestivo de diverticulite aguda. A tomografia computadorizada de abdome e pelve é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da inflamação e identificar complicações como abscesso ou perfuração, guiando a conduta.

Contexto Educacional

O caso clínico descreve um paciente com quadro sugestivo de diverticulite aguda. A dor abdominal localizada na fossa ilíaca esquerda (FIE), associada a febre, calafrios e a presença de uma massa palpável e dolorosa, são achados clássicos. Fatores de risco como idade (embora 40 anos seja relativamente jovem para diverticulite, não a exclui), tabagismo e constipação crônica reforçam a suspeita. A diverticulite aguda é uma inflamação ou infecção de um ou mais divertículos do cólon, sendo o sigmoide o local mais comum. É uma das causas mais frequentes de abdome agudo inflamatório. O diagnóstico diferencial inclui neoplasias de cólon, apendicite (se atípica), cistite, pielonefrite, e em mulheres, patologias ginecológicas. A conduta inicial em um paciente com suspeita de diverticulite aguda inclui a avaliação clínica completa, exames laboratoriais (hemograma, PCR, eletrólitos, função renal) e, crucialmente, um método de imagem. A tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste é o padrão ouro para confirmar o diagnóstico, determinar a extensão da doença, identificar complicações como abscessos ou perfurações e estadiar a gravidade (classificação de Hinchey), o que direciona a conduta terapêutica (clínica com antibióticos, drenagem percutânea ou cirurgia). A colonoscopia é contraindicada na fase aguda devido ao risco de perfuração.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da diverticulite aguda?

Os sintomas clássicos incluem dor abdominal no quadrante inferior esquerdo (fossa ilíaca esquerda), febre, náuseas, vômitos, alteração do hábito intestinal (constipação ou diarreia) e, por vezes, uma massa palpável na área da dor.

Qual o exame de imagem de escolha para diagnosticar diverticulite aguda?

A tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste intravenoso é o exame de imagem de escolha para diagnosticar diverticulite aguda. Ela permite confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade, identificar complicações e guiar o tratamento.

Quando a cirurgia é indicada na diverticulite aguda?

A cirurgia é indicada em casos de diverticulite complicada, como perfuração com peritonite difusa, abscesso grande não drenável percutaneamente, fístula, obstrução intestinal ou falha do tratamento clínico. Muitos casos não complicados são tratados conservadoramente.

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