HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015
Paciente de 71 anos dá entrada no pronto atendimento de um hospital com quadro de dor abdominal há 8 horas. O exame clínico mostra febre, dor, contratura e defesa à palpação em fossa ilíaca esquerda. A radiografia de abdome mostra distensão de cólon e delgado com alguns níveis hidroaéreos, mas sem sinais de obstrução intestinal. O hemograma mostra leucocitose (21.000 leucócitos com 10% de bastões), amilase e lipase são normais. O paciente apresenta como antecedente apenas hipertensão arterial sistêmica e constipação intestinal crônica. O exame mais apropriado para elucidar o diagnóstico, neste momento, é:
Dor FIE + febre + leucocitose em idoso com constipação → TC abdome para diverticulite.
O quadro clínico de dor em fossa ilíaca esquerda, febre, leucocitose e história de constipação crônica em idoso é altamente sugestivo de diverticulite aguda. A tomografia computadorizada de abdome é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e identificar complicações, sendo superior à ultrassonografia e radiografia simples.
A diverticulite aguda é uma condição comum, especialmente em pacientes idosos com histórico de constipação crônica, representando uma das causas mais frequentes de abdome agudo inflamatório. A inflamação ou infecção de um divertículo colônico, mais comumente no cólon sigmoide, leva a um quadro clínico caracterizado por dor em fossa ilíaca esquerda, febre e leucocitose. O diagnóstico precoce e preciso é fundamental para evitar complicações graves como perfuração, abscesso ou fístula. Diante de um paciente com suspeita de diverticulite, a avaliação clínica é complementada por exames laboratoriais, que frequentemente revelam leucocitose com desvio à esquerda. A radiografia simples de abdome pode mostrar distensão de alças, mas raramente é diagnóstica para diverticulite e serve mais para excluir outras causas de abdome agudo, como obstrução ou pneumoperitônio. A amilase e lipase normais ajudam a afastar pancreatite como causa da dor abdominal. A tomografia computadorizada de abdome com contraste é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico de diverticulite aguda, avaliar sua extensão, identificar complicações como abscessos ou perfurações e guiar a conduta terapêutica. Ela permite classificar a doença de acordo com a escala de Hinchey, que orienta o manejo conservador ou cirúrgico. A ultrassonografia pode ser útil, mas é operador-dependente e menos sensível para complicações profundas.
A diverticulite aguda tipicamente se manifesta com dor abdominal em fossa ilíaca esquerda, febre, náuseas, vômitos e alterações do hábito intestinal, como constipação ou diarreia. Ao exame físico, pode haver dor à palpação, defesa e contratura na região afetada.
A TC de abdome é o padrão-ouro porque oferece alta sensibilidade e especificidade para visualizar os divertículos inflamados, espessamento da parede do cólon, abscessos, fístulas e outras complicações. Ela permite um diagnóstico preciso e a classificação da gravidade da doença, orientando a conduta terapêutica.
Além da diverticulite, outros diagnósticos diferenciais incluem apendicite (especialmente se o apêndice for retrocecal ou pélvico), colite isquêmica, doença inflamatória intestinal, câncer de cólon, cistite, litíase ureteral e, em mulheres, patologias ginecológicas como doença inflamatória pélvica ou cisto ovariano torcido.
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