AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024
Paciente masculino, 65 anos, dá entrada no pronto socorro com queixa de dor abdominal em flanco esquerdo com 24 horas de evolução. Relata constipação desde o dia anterior com diminuição da eliminação de flatos. Relata ter realizado colonoscopia há 10 meses com achado de doença diverticular. Apresenta-se levemente taquicárdico e desidratado. Normotenso e afebril. O exame físico mostra um abdome globoso, tenso e doloroso a palpação em fossa ilíaca esquerda, com descompressão dolorosa neste local. Em relação a este caso clínico, analise as assertivas abaixo classificando-as em verdadeiro (V) ou falso (F).( ) Este paciente deve ser submetido a colonoscopia durante o internamento para descartar obstrução mecânica por neoplasia colorretal.( ) Espera-se, como achado laboratorial para este paciente, leucocitose e aumento de provas de atividade inflamatória, porém sem alteração da função renal( ) A correção dos distúrbios hidroeletrolíticos com soluções cristaloides é a primeira atitude a ser realizada no tratamento deste paciente.( ) A ultrassonografia de abdome é o exame mais indicado para este paciente após a correção hidroeletrolítica.( ) A ausência de história de exteriorização retal de sangue descarta o diagnóstico de complicação de doença diverticular e leva para hipótese diagnóstica de câncer colorretal. Assinale a alternativa correta.
Dor em flanco esquerdo + descompressão dolorosa + história de diverticulose → Suspeitar diverticulite aguda complicada.
A presença de descompressão dolorosa sugere peritonite localizada, indicando uma complicação da diverticulite. A estabilização hemodinâmica e hidroeletrolítica é prioritária antes de exames de imagem específicos, e a TC de abdome é o padrão-ouro para diagnóstico e estadiamento.
Diverticulite aguda é a inflamação de um ou mais divertículos, comum em idosos e pacientes com doença diverticular. Representa uma causa frequente de dor abdominal em flanco esquerdo e é uma condição importante no pronto-socorro. Sua prevalência tem aumentado, e o reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações graves. O diagnóstico é clínico, com dor abdominal, alteração do hábito intestinal e sinais inflamatórios. O exame físico pode revelar dor à palpação e descompressão dolorosa, indicando peritonite localizada. A tomografia computadorizada de abdome é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e identificar complicações como abscessos ou perfurações. O tratamento inicial envolve estabilização hidroeletrolítica, analgesia e antibioticoterapia. Em casos complicados, pode ser necessária drenagem percutânea de abscessos ou cirurgia. A colonoscopia é postergada para 4-6 semanas após a resolução do quadro agudo para rastreamento de neoplasias.
Sinais como descompressão dolorosa, defesa abdominal, febre alta e instabilidade hemodinâmica podem indicar complicações como perfuração, abscesso ou peritonite, exigindo avaliação e manejo urgentes.
A tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste é o exame padrão-ouro, permitindo confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da inflamação e identificar complicações como abscessos ou fístulas.
A colonoscopia é contraindicada na fase aguda devido ao risco aumentado de perfuração do cólon inflamado. Deve ser realizada após 4-6 semanas da resolução do quadro para excluir neoplasia colorretal.
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