Diverticulite Aguda: Novas Abordagens no Tratamento e Antibióticos

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021

Enunciado

Qual a afirmação mais adequada com relação à diverticulite aguda?

Alternativas

  1. A) Na presença de coleção pélvica, o tratamento preconizado é a retossigmoidectomia com anastomose primária.
  2. B) Na presença de peritonite fecal, o tratamento preconizado é a retossigmoidectomia com anastomose primária e colostomia de proteção.
  3. C) Na presença de peritonite purulenta, deve-se realizar peritoniostomia com curativo a vácuo (pressão negativa).
  4. D) Não há indicação do uso de antibiótico terapêutico na forma não complicada da doença.
  5. E) No doente jovem, com menos de 40 anos, a retossigmoidectomia eletiva deve ser indicada de rotina após o primeiro episódio.

Pérola Clínica

Diverticulite aguda não complicada → tratamento conservador sem ATB em casos selecionados.

Resumo-Chave

Recentes diretrizes indicam que a diverticulite aguda não complicada, sem sinais de sepse ou imunocomprometimento, pode ser tratada de forma conservadora, sem antibióticos, com repouso intestinal e analgésicos, pois a maioria dos casos é autolimitada.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma condição comum que resulta da inflamação ou infecção de um ou mais divertículos no cólon, mais frequentemente no sigmoide. A apresentação clínica varia desde dor abdominal leve até quadros graves com peritonite e sepse. A classificação de Hinchey é frequentemente utilizada para estadiar a gravidade e guiar o tratamento. Historicamente, a antibioticoterapia era um pilar no tratamento de todos os casos de diverticulite aguda. No entanto, diretrizes recentes, baseadas em estudos randomizados, têm demonstrado que a diverticulite aguda não complicada (Hinchey I sem abscesso grande, ou sem abscesso) em pacientes imunocompetentes e sem sinais de sepse, pode ser tratada de forma segura e eficaz sem antibióticos. O manejo nesses casos envolve repouso intestinal (dieta líquida ou branda), hidratação e analgésicos, com acompanhamento ambulatorial. Para casos complicados, como abscesso (Hinchey I com abscesso > 3-4 cm, ou Hinchey II), perfuração com peritonite purulenta (Hinchey III) ou peritonite fecal (Hinchey IV), a abordagem é mais agressiva. Abscessos podem requerer drenagem percutânea. Peritonite purulenta ou fecal exige cirurgia de urgência, geralmente com ressecção do segmento doente e colostomia (procedimento de Hartmann), embora em casos selecionados e com boa condição do paciente, a anastomose primária com ou sem colostomia de proteção possa ser considerada. A indicação de cirurgia eletiva após um primeiro episódio de diverticulite não é rotineira, especialmente em jovens, sendo avaliada caso a caso.

Perguntas Frequentes

Quando a diverticulite aguda não complicada pode ser tratada sem antibióticos?

A diverticulite aguda não complicada, em pacientes sem sinais de sepse, imunocomprometimento ou comorbidades significativas, pode ser tratada de forma conservadora com repouso intestinal, hidratação e analgésicos, sem necessidade de antibióticos.

Quais são as indicações para cirurgia na diverticulite aguda?

As indicações cirúrgicas incluem diverticulite complicada (abscesso grande, fístula, obstrução, perfuração com peritonite), falha do tratamento conservador, ou episódios recorrentes graves que afetam a qualidade de vida.

Como a presença de peritonite fecal ou purulenta altera o manejo da diverticulite?

Peritonite fecal ou purulenta indica diverticulite complicada com perfuração. Nesses casos, a cirurgia de urgência é mandatória, geralmente com ressecção do segmento afetado e colostomia (procedimento de Hartmann) ou, em casos selecionados, anastomose primária com colostomia de proteção.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo