Diverticulite Aguda: Manejo e Timing da Colonoscopia

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher, 65 anos, em tratamento de diabetes e hipertensão arterial sistêmica, procurou atendimento médico por dor na fossa ilíaca esquerda, bem como febre há três dias. Ao exame, apresentava-se em bom estado geral, sem sinais de sepse, e com abdome com defesa na fossa ilíaca esquerda. A TC de abdome apresenta cólon sigmoide com divertículos com espessamento e borramento da gordura adjacente. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta imediata mais adequada.

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia e retossigmoidectomia, caso a colonoscopia mostre neoplasia de sigmoide
  2. B) Antibioticoterapia e colonoscopia.
  3. C) Antibioticoterapia e retossigmoidectomia, que deverá ser realizada em quatro a seis semanas.
  4. D) Antibioticoterapia e colonoscopia, que deverá ser realizada em quatro a seis semanas.

Pérola Clínica

Diverticulite não complicada → ATB oral (se leve) ou IV (se moderada) + colonoscopia 4-6 semanas após resolução.

Resumo-Chave

O caso descreve uma diverticulite aguda não complicada (sem sinais de sepse, peritonite generalizada ou abscesso grande). A conduta inicial é antibioticoterapia. A colonoscopia é essencial para excluir neoplasia de cólon, mas deve ser postergada para 4-6 semanas após a resolução do quadro agudo para evitar perfuração e permitir a redução da inflamação.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma condição comum, especialmente em pacientes idosos, caracterizada pela inflamação ou infecção de um ou mais divertículos do cólon. A prevalência aumenta com a idade e está associada a fatores como dieta pobre em fibras. Clinicamente, manifesta-se com dor abdominal, geralmente na fossa ilíaca esquerda, febre e alterações do hábito intestinal. O diagnóstico é primariamente clínico e confirmado por exames de imagem, sendo a tomografia computadorizada (TC) de abdome o método de escolha. A TC pode revelar divertículos, espessamento da parede do cólon, borramento da gordura pericólica e, em casos complicados, abscessos ou perfurações. A classificação de Hinchey é utilizada para graduar a gravidade da diverticulite e guiar a conduta. O tratamento da diverticulite aguda não complicada geralmente envolve antibioticoterapia (oral ou intravenosa, dependendo da gravidade e comorbidades do paciente), repouso intestinal e analgesia. É crucial que, após a resolução do quadro agudo, uma colonoscopia seja realizada em 4 a 6 semanas. Este procedimento é fundamental para excluir a presença de neoplasias colorretais, que podem apresentar sintomas semelhantes ou coexistir com a doença diverticular, e para avaliar a extensão da doença diverticular, evitando o risco de perfuração que seria maior na fase aguda inflamatória.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais e sintomas de diverticulite aguda?

Os sinais e sintomas incluem dor abdominal, geralmente na fossa ilíaca esquerda, febre, náuseas, vômitos e alteração do hábito intestinal, podendo haver defesa à palpação.

Qual a conduta inicial para diverticulite aguda não complicada?

A conduta inicial envolve antibioticoterapia (oral ou intravenosa, dependendo da gravidade), repouso intestinal e analgesia. Em casos leves, pode-se considerar tratamento ambulatorial.

Por que a colonoscopia é indicada após um episódio de diverticulite?

A colonoscopia é indicada para excluir outras patologias, como neoplasias de cólon, que podem mimetizar ou coexistir com a doença diverticular, e para avaliar a extensão da doença diverticular.

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