Diverticulite Aguda: Diagnóstico por TC em Pacientes Obesos

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher de 45 anos de idade, obesa, com antecedente de laqueadura efetuada há dez anos, chega ao pronto‑socorro com história de vômitos e dor abdominal iniciada há 48 horas, que, no momento, está localizada na fossa ilíaca esquerda. Ao exame: pouco desidratada; com temperatura de 38 oC; com FC de 80 bpm; e com abdome globoso, sem sinais de peritonite, mas com sinal de Blumberg e sinal de Lapinsky positivos. Leucograma 13 mil, sem desvio, ureia e creatinina normais e PCR 4. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, a investigação diagnóstica que deve ser realizada e a causa.

Alternativas

  1. A) RM de abdome e pelve, pela vantagem de evitar radiação ionizante e contraste intravenoso e não ser examinador dependente
  2. B) ultrassonografia do abdome, uma vez que possui bom custo‑benefício e reduz a exposição à radiação
  3. C) ultrassonografia de abdome e transvaginal, para descartar doença ginecológica
  4. D) tomografia de abdome e pelve com contraste, pois é considerada a primeira linha em pacientes obesos
  5. E) tomografia de pelve sem contraste, a fim de descartar doença ginecológica e não expor a sobrecarga renal pelo contraste intravenoso

Pérola Clínica

Mulher obesa com dor em FIE, febre, leucocitose e sinais de irritação peritoneal → suspeita de diverticulite → TC de abdome e pelve com contraste.

Resumo-Chave

Em pacientes com suspeita de abdome agudo inflamatório, especialmente diverticulite, a tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste é o exame de escolha, principalmente em obesos, devido à sua alta sensibilidade e especificidade, permitindo uma avaliação detalhada e diferenciando outras causas.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma condição comum que se manifesta como inflamação ou infecção de um ou mais divertículos do cólon, sendo mais frequente no cólon sigmoide (fossa ilíaca esquerda). A incidência aumenta com a idade e está associada a fatores como dieta pobre em fibras e obesidade. O quadro clínico clássico inclui dor abdominal no quadrante inferior esquerdo, febre, náuseas, vômitos e alterações do hábito intestinal. A presença de sinais de irritação peritoneal, como Blumberg e Lapinsky positivos, indica um processo inflamatório mais avançado. A investigação diagnóstica é crucial para confirmar a diverticulite e excluir outras causas de abdome agudo. Em pacientes com suspeita de diverticulite, especialmente aqueles com obesidade, a tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste intravenoso e oral é considerada a modalidade de imagem de primeira linha. A TC oferece alta sensibilidade e especificidade para visualizar a inflamação diverticular, espessamento da parede do cólon, presença de abscessos, perfurações e outras complicações, além de auxiliar no diagnóstico diferencial. A ultrassonografia pode ser útil, mas sua acurácia é limitada em pacientes obesos ou com distensão gasosa. O tratamento da diverticulite aguda varia de manejo conservador (antibióticos, repouso intestinal) para casos não complicados a intervenção cirúrgica para complicações como perfuração, abscesso não drenável ou fístula. A estratificação da gravidade pela TC (classificação de Hinchey) guia a conduta. É fundamental uma abordagem individualizada, considerando as comorbidades do paciente e a extensão da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clínicos que sugerem diverticulite aguda?

A diverticulite aguda tipicamente se manifesta com dor abdominal no quadrante inferior esquerdo (fossa ilíaca esquerda), febre, náuseas, vômitos, alteração do hábito intestinal e leucocitose. Sinais de irritação peritoneal, como Blumberg e Lapinsky positivos, podem estar presentes.

Por que a tomografia computadorizada com contraste é o exame de escolha para diverticulite, especialmente em obesos?

A TC de abdome e pelve com contraste é o exame de escolha devido à sua alta sensibilidade e especificidade para identificar inflamação diverticular, espessamento da parede do cólon, presença de abscessos, perfurações e fístulas. Em pacientes obesos, a TC supera as limitações da ultrassonografia, que pode ter sua acurácia comprometida pela dificuldade de penetração do feixe sonoro.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais da dor em fossa ilíaca esquerda em mulheres?

Em mulheres, os diagnósticos diferenciais incluem diverticulite, cistite, doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica, torção de ovário, ruptura de cisto ovariano, endometriose e apendicite (especialmente se o apêndice for retrocecal e longo). A laqueadura prévia não exclui causas ginecológicas.

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