HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2024
Mulher de 68 anos de idade procura pronto-socorro por dor em hipogástrio e fossa ilíaca esquerda há três dias, associada a febre de até 38°C. Refere hábito intestinal cronicamente constipado, com última evacuação há dois dias. Nega alterações urinárias. Tem antecedente pessoal de diabetes mellitus tipo 2, com mau controle glicêmico. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, temperatura de 38,1°C, estável hemodinamicamente. Abdome globoso, flácido, doloroso à palpação de hipogástrio e fossa ilíaca esquerda, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais revelam leucócitos de 17.000/mm³ (VR: 4.000 - 11.000/mm³), proteína C reativa de 58mg/dL (VR < 1mg/dL) e glicemia de 320mg/dL (VR < 99mg/dL), sem outras alterações. Realizou tomografia de abdome total, ilustrada a seguir: Em relação ao caso clínico, o tratamento indicado para essa paciente neste momento é:
Diverticulite aguda com febre, leucocitose, PCR alta e comorbidades (DM) → Internação e ATB EV empírica.
Pacientes com diverticulite aguda que apresentam sinais de gravidade como febre, leucocitose e PCR elevada, especialmente na presença de comorbidades como diabetes mellitus mal controlado, devem ser internados para antibioticoterapia endovenosa empírica. A tomografia computadorizada é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da doença, guiando a conduta. Colonoscopia é contraindicada na fase aguda devido ao risco de perfuração.
A diverticulite aguda é a inflamação de um ou mais divertículos, pequenas herniações da mucosa e submucosa através da camada muscular do cólon. É uma condição comum, especialmente em idosos, e sua incidência tem aumentado. A fisiopatologia envolve a obstrução do divertículo por fecalito ou hipertrofia muscular, levando à inflamação e, por vezes, perfuração. O diagnóstico e manejo adequados são cruciais para prevenir complicações graves. O quadro clínico típico apresenta dor em fossa ilíaca esquerda, febre e alterações do hábito intestinal. A tomografia computadorizada de abdome total com contraste é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da inflamação e identificar complicações como abscessos ou perfurações. Achados laboratoriais como leucocitose e elevação da proteína C reativa (PCR) indicam a presença de processo inflamatório/infeccioso. O tratamento da diverticulite aguda varia conforme a gravidade. Casos leves, sem sinais de complicação e em pacientes sem comorbidades significativas, podem ser tratados ambulatorialmente com antibioticoterapia oral e dieta líquida. No entanto, pacientes com febre, leucocitose acentuada, comorbidades (como diabetes mellitus mal controlado) ou evidência de complicações na TC requerem internação hospitalar para antibioticoterapia endovenosa empírica e suporte clínico. A cirurgia (colectomia) é reservada para casos complicados ou refratários ao tratamento clínico.
Os principais sinais e sintomas da diverticulite aguda incluem dor abdominal em fossa ilíaca esquerda (mais comum), febre, náuseas, vômitos, alteração do hábito intestinal (constipação ou diarreia) e sensibilidade à palpação abdominal. Leucocitose e elevação da PCR são achados laboratoriais comuns.
A internação hospitalar é indicada para pacientes com diverticulite aguda que apresentam sinais de gravidade (febre alta, taquicardia, hipotensão), comorbidades significativas (diabetes, imunossupressão), incapacidade de tolerar líquidos por via oral, dor intensa não controlada ambulatorialmente, ou evidência de complicações na tomografia (abscesso, perfuração).
A colonoscopia é contraindicada na fase aguda da diverticulite devido ao risco aumentado de perfuração do cólon inflamado. Ela deve ser realizada após a resolução do quadro agudo (geralmente 6-8 semanas depois) para excluir outras patologias, como neoplasias, especialmente em pacientes que não realizaram o exame recentemente.
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