Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020
Mulher de 69 anos deu entrada em consulta de triagem com quadro de dor abdominal em baixo ventre e fossa ilíaca esquerda, com cerca de 2 dias de evolução, associado a febre baixa nas últimas 24 horas. Nega quaisquer outras queixas clínicas. Nega quadro clínico semelhante prévio. Antecedentes pessoais relevantes: hipertensão arterial sistêmica sob controle. Exame físico: REG, subfebril (37,6 ºC) e estável hemodinamicamente. Apresentava abdome flácido, com sinais de irritação peritoneal localizada em fossa ilíaca esquerda.Assinale a alternativa que contém o exame de imagem padrão-ouro para confirmar a hipótese diagnóstica e a conduta mais adequada.
Dor FIE + febre + irritação peritoneal → Diverticulite aguda; TC abdome padrão-ouro.
O quadro clínico de dor em fossa ilíaca esquerda, febre baixa e sinais de irritação peritoneal localizada em uma paciente idosa é altamente sugestivo de diverticulite aguda. A Tomografia Computadorizada de abdome é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e estadiar a doença (ex: Classificação de Hinchey), o que direciona a conduta terapêutica.
A diverticulite aguda é uma condição inflamatória dos divertículos colônicos, mais comum no cólon sigmoide. Apresenta-se tipicamente com dor abdominal em fossa ilíaca esquerda, febre, náuseas e alterações do hábito intestinal. É uma causa comum de abdome agudo em idosos e sua incidência tem aumentado. O diagnóstico diferencial inclui outras causas de dor abdominal, como apendicite (se o ceco for pélvico), colite isquêmica, doença inflamatória intestinal e câncer colorretal. A Tomografia Computadorizada (TC) de abdome com contraste é o exame de imagem padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de diverticulite aguda, avaliar sua extensão e identificar complicações como abscesso, perfuração ou fístula. A TC também permite classificar a gravidade da diverticulite, sendo a Classificação de Hinchey (modificada) amplamente utilizada para guiar o tratamento. A colonoscopia é contraindicada na fase aguda devido ao risco de perfuração. O tratamento da diverticulite aguda varia conforme a gravidade. Casos leves (Hinchey I e alguns IIa) podem ser manejados clinicamente com repouso intestinal (dieta líquida ou jejum), hidratação e antibioticoterapia (oral ou intravenosa, dependendo da apresentação). Casos mais graves (abscessos maiores, perfuração, peritonite difusa - Hinchey IIb, III, IV) podem exigir drenagem percutânea de abscesso ou intervenção cirúrgica. A cirurgia pode variar de lavagem laparoscópica a ressecção do segmento colônico afetado com ou sem colostomia.
Os sintomas clássicos incluem dor abdominal em fossa ilíaca esquerda (o "apendicite do lado esquerdo"), febre, náuseas, vômitos, alteração do hábito intestinal (constipação ou diarreia) e, em casos mais graves, sinais de irritação peritoneal.
A TC de abdome permite confirmar o diagnóstico de diverticulite, identificar complicações como abscesso ou perfuração, avaliar a extensão da inflamação e estadiar a doença de acordo com classificações como a de Hinchey, o que é crucial para definir a conduta terapêutica.
A diverticulite Hinchey I caracteriza-se por inflamação pericólica ou pequeno abscesso pericólico. A conduta geralmente envolve internação hospitalar, repouso intestinal (jejum ou dieta líquida), hidratação venosa e antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, cobrindo gram-negativos e anaeróbios.
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