TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022
Paciente de 80 anos comparece ao pronto atendimento com queixa de febre, dor em fossa ilíaca esquerda e hiporexia iniciados ontem. Paciente não evacua há 5 dias. Ao exame físico, apresenta dor à palpação da fossa ilíaca esquerda. Realizado hemograma que revelou leucocitose com desvio à esquerda. O diagnóstico mais provável e o exame complementar mais adequado nesse momento são, respectivamente:
Dor em FIE + Febre + Leucocitose → TC de abdome (Padrão-ouro).
A diverticulite aguda é a principal suspeita em idosos com dor em FIE; a TC confirma o diagnóstico e complicações, enquanto a colonoscopia é evitada na fase aguda.
A diverticulite aguda, muitas vezes chamada de 'apendicite do lado esquerdo', é uma complicação comum da doença diverticular, especialmente em pacientes idosos. A fisiopatologia envolve a micro ou macroperfuração de um divertículo, levando a uma resposta inflamatória local ou generalizada. O quadro clínico clássico de dor na fossa ilíaca esquerda, febre e alterações do hábito intestinal deve sempre levantar essa suspeita. O manejo inicial foca na estabilização do paciente e na confirmação diagnóstica por imagem. A escolha da Tomografia Computadorizada é baseada em evidências sólidas que demonstram sua capacidade de prever o desfecho clínico. O tratamento varia desde antibioticoterapia ambulatorial em casos leves (Hinchey I) até intervenções cirúrgicas de emergência (como a cirurgia de Hartmann) em casos de peritonite purulenta ou fecal (Hinchey III e IV).
Embora a ultrassonografia possa identificar sinais de diverticulite, ela é operador-dependente e limitada pela presença de gases intestinais ou obesidade. A Tomografia Computadorizada (TC) de abdome com contraste é o padrão-ouro porque permite não apenas confirmar o diagnóstico com alta sensibilidade e especificidade, mas também estadiar a doença através da Classificação de Hinchey. A TC identifica complicações como abscessos, ar livre (perfuração) e fístulas, sendo fundamental para decidir entre tratamento clínico ou cirúrgico.
A colonoscopia é formalmente contraindicada na fase aguda da diverticulite (primeiras 4 a 6 semanas) devido ao risco de perfuração iatrogênica em um tecido inflamado e fragilizado. Após a resolução do processo inflamatório agudo (geralmente após 6 semanas), a colonoscopia deve ser realizada para excluir diagnósticos diferenciais importantes, principalmente o câncer colorretal, que pode mimetizar a apresentação clínica e radiológica da diverticulite.
Os achados clássicos na TC incluem o espessamento da parede do cólon (geralmente > 4mm), densificação da gordura pericólica (sinal de inflamação), presença de divertículos e, em casos complicados, coleções líquidas (abscessos), pneumoperitônio (perfuração) ou extravasamento de contraste (fístulas). Esses achados permitem classificar a gravidade e guiar a terapêutica, como a drenagem percutânea de abscessos maiores que 4 cm.
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