INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Um paciente com 56 anos de idade vem para consulta na Unidade de Pronto Atendimento com queixa de dor abdominal em andar inferior do abdome há cerca de seis dias. Relata hiporexia e febre baixa há três dias. Nega diarreia e vômitos. Refere constipação intestinal que se acentuou nos últimos meses; nega hematoquesia. Ao exame físico do abdome apresenta ruídos hidroaéreos normais, abdome globoso, normotenso, doloroso à palpação superficial e profunda em fossa ilíaca esquerda, onde evidencia-se massa palpável. Não há visceromegalias ou hérnia inguinal. Qual o diagnóstico e conduta corretos?
Dor em FIE + Febre + Massa palpável = Diverticulite Aguda (Tratamento inicial: ATB).
A diverticulite aguda é a principal hipótese para dor em fossa ilíaca esquerda e febre. A presença de massa sugere fleimão ou abscesso, sendo a antibioticoterapia a conduta inicial padrão.
A diverticulite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo em adultos acima de 50 anos. O quadro descrito (dor há 6 dias, febre, constipação e massa palpável) é clássico de uma complicação local (Hinchey I ou II). A tomografia de abdome é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e guiar a conduta, mas clinicamente a antibioticoterapia de amplo espectro (cobrindo gram-negativos e anaeróbios) é o pilar do tratamento inicial.
O diagnóstico é sugerido por dor aguda e persistente no quadrante inferior esquerdo (a 'apendicite à esquerda'), frequentemente acompanhada de febre baixa, alterações do hábito intestinal (constipação ou diarreia) e náuseas. Ao exame físico, a descompressão dolorosa e a presença de uma massa palpável (fleimão ou abscesso) reforçam a suspeita clínica.
A Classificação de Hinchey (geralmente baseada em achados de Tomografia) estratifica a gravidade da diverticulite: Hinchey I (abscesso pericólico), II (abscesso pélvico), III (peritonite purulenta) e IV (peritonite fecal). Casos I e II costumam ser manejados clinicamente com antibióticos ou drenagem percutânea, enquanto III e IV exigem cirurgia de urgência.
A cirurgia de urgência (como a cirurgia de Hartmann) é indicada em casos de peritonite generalizada, obstrução intestinal completa ou falha do tratamento clínico. A cirurgia eletiva pode ser considerada após episódios recorrentes ou em pacientes com fístulas e estenoses, embora a indicação após o primeiro episódio tenha se tornado mais restrita recentemente.
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