INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Paciente do sexo masculino, 65 anos, foi atendido no serviço de urgência de um hospital com queixa de dor em flanco e fossa ilíaca esquerdos, com início há cerca de 48 horas e piora nas últimas 12 horas. Neste período, apresentou episódio febril de 38 °C, aferido em seu domicílio. Relatou apresentar divertículos do cólon há cerca de 12 anos, e que foi submetido a uma gastrectomia parcial há 1 ano por adenocarcinoma gástrico em antro, estágio IB. Apresentou relatório médico relativo a esse procedimento, no qual constava endoscopia digestiva alta com biópsia confirmando o diagnóstico histológico, tomografia computadorizada de abdome e tórax, que revelava doença diverticular em sigmoide, e colonoscopia confirmando doença diverticular em sigmoide. Ao exame físico, o paciente estava em bom estado geral, frequência cardíaca de 95 bpm, pressão arterial de 130 x 80 mmHg e temperatura axilar de 38,1 °C. O abdome estava flácido, mas doloroso à palpação profunda de flanco e fossa ilíaca esquerdos e hipogástrio. Hemograma revelou leucocitose de 16 000/mm³ (referência: 9 000 – 11 000/mm³) com 10% de bastões (referência: 0 – 5%). O paciente relatou estar preocupado pela possibilidade de ser um “retorno do câncer”. O exame complementar e explicação para confirmação do diagnóstico nesse momento é
Suspeita de diverticulite aguda → TC abdome com contraste = padrão-ouro para diagnóstico e complicações.
A tomografia computadorizada de abdome com contraste venoso é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico de diverticulite aguda e avaliar a presença e extensão de complicações como abscessos, perfurações ou fístulas. É superior à colonoscopia (contraindicada na fase aguda) e à radiografia simples, e mais específica que o PET-TC para esta condição.
A diverticulite aguda é uma condição inflamatória comum do cólon, caracterizada pela inflamação de um ou mais divertículos. Apresenta-se tipicamente com dor abdominal no quadrante inferior esquerdo, febre e leucocitose, como no caso descrito. A história de doença diverticular prévia e a idade avançada são fatores de risco importantes. O diagnóstico diferencial inclui outras causas de dor abdominal aguda, como apendicite (se o ceco for móvel), câncer de cólon e doenças inflamatórias intestinais. A tomografia computadorizada (TC) de abdome com contraste venoso é o exame de imagem padrão-ouro para o diagnóstico de diverticulite aguda. Ela permite não apenas confirmar a inflamação dos divertículos, mas também identificar e mensurar a extensão de complicações como abscessos pericólicos, perfurações (com pneumoperitônio ou extravasamento de contraste), fístulas ou obstruções intestinais. A TC é crucial para guiar a conduta terapêutica, que pode variar desde tratamento conservador com antibióticos até intervenção cirúrgica. É fundamental ressaltar que a colonoscopia é contraindicada na fase aguda da diverticulite devido ao risco de perfuração de um cólon inflamado e friável. Ela deve ser realizada após a resolução do quadro aguto, geralmente algumas semanas depois, para excluir a presença de neoplasias malignas do cólon, especialmente em pacientes com primeiro episódio de diverticulite ou com características atípicas. A radiografia simples de abdome e tórax tem papel limitado no diagnóstico da diverticulite, sendo mais útil para identificar pneumoperitônio em casos de perfuração.
Os sintomas clássicos incluem dor abdominal no quadrante inferior esquerdo (fossa ilíaca esquerda), febre, náuseas, vômitos, alteração do hábito intestinal e leucocitose. A dor é geralmente constante e pode ser acompanhada de sensibilidade à palpação abdominal.
A TC com contraste é o exame de escolha porque permite visualizar os divertículos inflamados, espessamento da parede do cólon, estriação da gordura pericólica e identificar complicações como abscessos, perfurações, fístulas ou obstruções, além de auxiliar no diagnóstico diferencial.
A colonoscopia é contraindicada na fase aguda da diverticulite devido ao risco de perfuração. Ela é indicada após a resolução do quadro agudo (geralmente 4-6 semanas depois) para confirmar a presença de divertículos, avaliar a extensão da doença e excluir outras patologias, como neoplasias de cólon, especialmente em pacientes com primeiro episódio de diverticulite complicada.
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