Diverticulite Aguda: Diagnóstico e Quadro Clínico

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2022

Enunciado

considere o caso clínico abaixo:Homem de 63 anos, obeso, diabético refere dor abdominal de origem súbita na fossa ilíaca esquerda, febre e calafrios. Previamente constipado. Nega comorbidades. Temperatura axilar de 38ºC, pressão arterial de 150x100 mmHg e frequência cardíaca de 100 batimentos por minuto. Ao exame físico, abdome distendido e com sinais de irritação peritoneal à palpação. Qual a hipótese diagnóstica?\n

Alternativas

  1. A) Apendicite aguda.
  2. B) Gastroenterite aguda.\n
  3. C) Pancreatite aguda.
  4. D) Diverticulite aguda.

Pérola Clínica

Dor em FIE + Febre + Constipação em idoso → Diverticulite Aguda até prova em contrário.

Resumo-Chave

A diverticulite aguda é a principal causa de dor em fossa ilíaca esquerda no idoso, frequentemente associada a alterações do hábito intestinal e sinais inflamatórios sistêmicos.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda resulta da micro ou macroperfuração de um divertículo colônico. É uma condição comum em países ocidentais, correlacionada com dietas pobres em fibras e obesidade. O manejo varia desde antibioticoterapia ambulatorial em casos leves (Hinchey I) até intervenções cirúrgicas de emergência (como a cirurgia de Hartmann) em casos de peritonite purulenta ou fecal (Hinchey III e IV).

Perguntas Frequentes

Quais os principais sinais clínicos da diverticulite aguda?

O quadro clássico envolve dor abdominal persistente, geralmente localizada na fossa ilíaca esquerda (cólon sigmoide), associada a febre, calafrios e alterações do hábito intestinal (frequentemente constipação). Ao exame físico, pode haver massa palpável e sinais de irritação peritoneal (descompressão dolorosa), sugerindo perfuração ou abscesso. Em pacientes idosos ou imunossuprimidos, os sintomas podem ser mais insidiosos, exigindo alto índice de suspeição clínica.

Qual o exame de imagem padrão-ouro para diverticulite?

A Tomografia Computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste venoso é o padrão-ouro. Ela apresenta alta sensibilidade e especificidade, permitindo não apenas confirmar o diagnóstico (espessamento da parede do cólon, gordura pericólica borrada), mas também estadiar a gravidade através da Classificação de Hinchey. A TC identifica complicações como abscessos, ar livre (perfuração) ou fístulas, orientando a decisão entre tratamento clínico ou cirúrgico.

Como diferenciar diverticulite de apendicite aguda?

A principal diferença reside na localização da dor. A apendicite aguda tipicamente causa dor que migra para a fossa ilíaca direita (FID), enquanto a diverticulite afeta predominantemente a fossa ilíaca esquerda (FIE), onde o cólon sigmoide é mais acometido. No entanto, em casos de apêndice longo ou diverticulite de cólon direito (mais comum em asiáticos), os quadros podem se sobrepor. A idade avançada e história de doença diverticular corroboram o diagnóstico de diverticulite.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo