Diuréticos: Mecanismos, Efeitos e Síndrome de Bartter

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2023

Enunciado

Sobre os diuréticos, seus mecanismos e efeitos colaterais, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A síndrome de Bartter é uma tubulopatia hereditária que simula uma intoxicação por furosemida.
  2. B) Hidroclorotiazida, indapamida e clortalidona possuem efeito tiazídico sobre o túbulo distal, inibindo a reabsorção sódio-cloro local. Pela natriurese, geram hipercalciúria compensatória, o que pode potencializar a formação de cálculos urinários de cálcio.
  3. C) A espironolactona atua no túbulo distal como antagonista da aldosterona. Tem como principal efeito colateral a alcalose metabólica hipercalêmica.
  4. D) A acetazolamida é um agonista da anidrase carbônica, gerando natriurese em troca de reabsorção de bicarbonato. É bem indicada em pacientes hipervolêmicos em acidose metabólica.
  5. E) A furosemida e bumetanida são diuréticos de alça que inibem a reabsorção sódio-potássio-cloro na alça ascendente de Henle. Como efeitos colaterais, têm-se hipocalemia, hipercalcemia, hipernatremia e acidose metabólica hiperclorêmica.

Pérola Clínica

Síndrome de Bartter simula intoxicação crônica por diurético de alça (furosemida).

Resumo-Chave

A Síndrome de Bartter é uma tubulopatia hereditária que afeta o transportador Na-K-2Cl na alça de Henle, mimetizando os efeitos de um diurético de alça. Isso resulta em hipocalemia, alcalose metabólica e hipercalciúria, sem hipertensão, devido à perda de função do transportador.

Contexto Educacional

Os diuréticos são uma classe de medicamentos amplamente utilizada na prática clínica para o tratamento de condições como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e edemas. Eles atuam em diferentes segmentos do néfron, modificando a reabsorção de água e eletrólitos, e cada classe possui um perfil de efeitos colaterais e indicações específicas. A Síndrome de Bartter é uma tubulopatia rara, hereditária, que se manifesta com hipocalemia, alcalose metabólica e hipercalciúria, mimetizando o uso crônico de diuréticos de alça devido a um defeito genético no transportador Na-K-2Cl. Os diuréticos tiazídicos, por sua vez, inibem o cotransportador Na-Cl no túbulo distal e, ao contrário dos diuréticos de alça, causam hipocalciúria, sendo benéficos em pacientes com hipercalciúria idiopática. A espironolactona é um diurético poupador de potássio que atua como antagonista da aldosterona no túbulo coletor, podendo causar hipercalemia e acidose metabólica. A acetazolamida, inibidor da anidrase carbônica, causa natriurese e bicarbonatúria, levando a acidose metabólica e é contraindicada em pacientes hipervolêmicos com acidose. O conhecimento detalhado dos mecanismos e efeitos colaterais é crucial para o uso seguro e eficaz dessas drogas na prática clínica.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo de ação dos diuréticos de alça?

Diuréticos de alça, como furosemida, inibem o cotransportador Na-K-2Cl na alça ascendente espessa de Henle, impedindo a reabsorção de sódio, potássio e cloro, resultando em potente diurese e perda de eletrólitos.

Quais os principais efeitos colaterais da espironolactona?

A espironolactona, um antagonista da aldosterona, pode causar hipercalemia e acidose metabólica, além de ginecomastia e impotência em homens devido ao seu efeito antiandrogênico.

Como os diuréticos tiazídicos afetam o cálcio?

Diuréticos tiazídicos, como a hidroclorotiazida, promovem a reabsorção de cálcio no túbulo distal, resultando em hipocalciúria. Essa propriedade os torna úteis na prevenção de cálculos renais de cálcio.

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