FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Atendimento no Centro de Saúde Nova Esperança, mulher com 40 anos, G3 P3, tabagista (20 maços/mês) e hipertensa, buscando planejamento familiar, apresenta ciclos regulares, de longa duração e com fluxo menstrual intenso. IMC= 35KG/m³. A ultrassonografia transvaginal demonstrou endométrio com biopsia e laudo histopatológico de endométrio proliferativo. Após avaliar, qual o método anticoncepcional mais adequado para a paciente?
Tabagista >35 anos + Hipertensão + Fluxo Intenso → DIU de Levonorgestrel (Mirena).
Métodos combinados são Categoria 4 da OMS para tabagistas >35 anos e hipertensas; o DIU de levonorgestrel é a escolha ideal por tratar o fluxo intenso sem risco cardiovascular.
A escolha do método contraceptivo deve sempre balancear a eficácia, os efeitos colaterais desejados (como a redução do fluxo menstrual) e, crucialmente, a segurança clínica baseada nos critérios da OMS. No caso de mulheres com múltiplos fatores de risco cardiovascular (tabagismo, idade >35 anos, hipertensão e obesidade), os métodos contendo estrogênio devem ser evitados. O DIU de levonorgestrel destaca-se como uma opção de alta eficácia (LARC - Long-Acting Reversible Contraception) que atua diretamente no endométrio, tratando a queixa de fluxo intenso sem aumentar o risco de eventos isquêmicos. Clinicamente, o achado de endométrio proliferativo na biópsia descarta malignidade ou hiperplasias atípicas no momento, sugerindo um padrão hormonal de anovulação ou apenas a fase do ciclo, reforçando que o tratamento deve focar no controle sintomático do sangramento. O SIU-LNG é a ferramenta mais robusta para este cenário, unindo segurança cardiovascular e controle de ciclo.
Segundo os Critérios Médicos de Elegibilidade da OMS, o uso de anticoncepcionais hormonais combinados (que contêm estrogênio) é classificado como Categoria 4 (risco inaceitável à saúde) para mulheres com 35 anos ou mais que fumam 15 ou mais cigarros por dia. Além disso, a hipertensão arterial sistêmica e a obesidade (IMC 35) elevam significativamente o risco de acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio e tromboembolismo venoso, tornando o estrogênio perigoso para esta paciente específica.
O DIU de levonorgestrel (SIU-LNG) promove uma atrofia endometrial local profunda, reduzindo o volume do fluxo menstrual em até 90% após os primeiros meses de uso. É considerado uma das terapias de primeira linha para o controle do sangramento uterino anormal de causa não estrutural (como o endométrio proliferativo citado), sendo superior aos tratamentos orais em termos de adesão e eficácia a longo prazo, sem os riscos sistêmicos dos estrogênios.
Embora o injetável trimestral (acetato de medroxiprogesterona de depósito) seja um método apenas de progesterona e, portanto, mais seguro que os combinados em relação ao risco trombótico, ele é frequentemente associado ao ganho de peso. Como a paciente já apresenta obesidade grau II (IMC 35), o uso de medroxiprogesterona pode exacerbar o quadro metabólico. Além disso, o DIU de levonorgestrel oferece um controle superior do fluxo menstrual intenso em comparação ao injetável, que pode causar sangramentos irregulares (spotting) nos primeiros meses.
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