HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2024
Mulher de 34 anos de idade, previamente hígida, procura atendimento ambulatorial devido a dor torácica retroesternal há 3 meses. Ela conta que a dor é "como se algo estivesse se retorcendo dentro dela" e normalmente acontece durante a alimentação, sendo por vezes associada com dificuldade para engolir e sintomas de refluxo. Relata que seu pai, que infartou aos 64 anos, sugeriu que ela tomasse nitrato sublingual, com melhora da sintomatologia. O exame físico não tem alterações dignas de nota. Qual é o exame complementar que deve ser solicitado e o tratamento indicado nesse momento?
Dor torácica retroesternal + disfagia + melhora com nitrato → Distúrbio de motilidade esofágica. Exame: Esofagomanometria.
A dor torácica de origem esofágica pode mimetizar angina, inclusive com melhora a nitratos. A associação com disfagia e sintomas de refluxo, especialmente durante a alimentação, sugere fortemente um distúrbio de motilidade esofágica. A esofagomanometria é o exame padrão-ouro para o diagnóstico.
A dor torácica é uma queixa comum e desafiadora, e a diferenciação entre causas cardíacas e não cardíacas é crucial. A dor torácica de origem esofágica, em particular, pode mimetizar angina pectoris, levando a investigações desnecessárias ou atraso no diagnóstico correto. É essencial que o residente reconheça os 'red flags' e 'green flags' que apontam para uma etiologia esofágica, como a associação com disfagia, odinofagia, regurgitação e a relação com a alimentação. A epidemiologia mostra que uma parcela significativa das dores torácicas não cardíacas tem origem esofágica. A fisiopatologia dos distúrbios de motilidade esofágica envolve disfunções na coordenação da musculatura lisa do esôfago, resultando em contrações descoordenadas ou excessivas. O diagnóstico é estabelecido principalmente pela esofagomanometria, que permite identificar padrões anormais de motilidade. Antes da manometria, uma endoscopia digestiva alta pode ser realizada para excluir causas estruturais ou inflamatórias. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes jovens sem fatores de risco cardiovascular, que apresentam sintomas gastrointestinais concomitantes. O tratamento visa aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Para o espasmo esofágico, medicamentos que relaxam a musculatura lisa, como bloqueadores dos canais de cálcio (nifedipino) ou nitratos, são frequentemente utilizados. Inibidores da bomba de prótons (omeprazol) são indicados se houver sintomas de refluxo gastroesofágico associados. Em casos refratários, outras abordagens como injeção de toxina botulínica ou miotomia podem ser consideradas. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado, mas a condição pode ser crônica e recorrente.
A dor torácica de origem esofágica frequentemente é retroesternal, pode ser descrita como queimação ou aperto, e está associada a disfagia, odinofagia, regurgitação e sintomas de refluxo. Pode ser desencadeada por alimentos ou líquidos e, por vezes, aliviada por nitratos.
A esofagomanometria de alta resolução é o exame padrão-ouro para diagnosticar distúrbios de motilidade esofágica, como espasmo esofágico difuso ou acalasia. Ela avalia a pressão e a coordenação das contrações esofágicas.
O tratamento inicial para espasmo esofágico inclui inibidores da bomba de prótons para sintomas de refluxo associados (ex: omeprazol) e relaxantes da musculatura lisa esofágica, como bloqueadores dos canais de cálcio (ex: nifedipino ou diltiazem) ou nitratos, para alívio da dor.
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