Transfusão Maciça: Monitoramento de Eletrólitos Essenciais

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 23 anos foi submetido a tamponamento pélvico extraperitoneal e fixador externo devido a fratura de pelve em livro aberto após acidente com moto. Durante a cirurgia, fez uso de noradrenalina e vasopressina pela instabilidade. Recebeu 10 concentrados de hemácias, 5 de plasma fresco e 1,5 g de fibrinogênio. Os dois eletrólitos que devem ser especialmente monitorados após esse pacote de transfusão são:

Alternativas

  1. A) cálcio e potássio.
  2. B) sódio e cloro.
  3. C) cloro e fósforo.
  4. D) magnésio e cálcio.
  5. E) sódio e potássio.

Pérola Clínica

Transfusão maciça → monitorar cálcio (citrato) e potássio (lise CH) para evitar arritmias.

Resumo-Chave

A transfusão maciça de concentrados de hemácias pode levar à hipocalcemia devido ao citrato (anticoagulante) e à hipercalemia devido à lise celular dos eritrócitos armazenados, especialmente em pacientes com disfunção renal ou acidose.

Contexto Educacional

A transfusão maciça, definida como a reposição de um volume sanguíneo total em 24 horas ou a transfusão de 10 unidades de concentrado de hemácias em poucas horas, é uma intervenção vital em pacientes com hemorragia grave. No entanto, ela não é isenta de riscos, e o manejo adequado dos distúrbios eletrolíticos é crucial para evitar complicações graves. A compreensão desses riscos é fundamental para a segurança do paciente e para a prática clínica do residente. Os principais eletrólitos a serem monitorados são o cálcio e o potássio. A hipocalcemia é uma complicação comum devido ao citrato, um anticoagulante presente nos concentrados de hemácias, que quelata o cálcio iônico. A hipercalemia, por sua vez, ocorre pela lise dos eritrócitos armazenados, que liberam potássio para o plasma. Ambos os distúrbios podem levar a arritmias cardíacas e outras disfunções orgânicas. O tratamento envolve a reposição de cálcio (geralmente gluconato de cálcio) e o manejo da hipercalemia, que pode incluir medidas como administração de insulina e glicose, bicarbonato de sódio ou resinas de troca iônica, dependendo da gravidade. A monitorização contínua dos eletrólitos e do eletrocardiograma é essencial durante e após a transfusão maciça para identificar e corrigir rapidamente quaisquer alterações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais distúrbios eletrolíticos associados à transfusão maciça?

Os principais distúrbios são hipocalcemia (pelo citrato) e hipercalemia (pelo potássio liberado dos eritrócitos armazenados, especialmente em sangue mais antigo).

Por que o cálcio deve ser monitorado em transfusões maciças?

O citrato, presente nos concentrados de hemácias como anticoagulante, quelata o cálcio iônico do paciente, podendo levar à hipocalcemia e suas complicações, como arritmias e disfunção miocárdica.

Quais pacientes têm maior risco de hipercalemia durante transfusão maciça?

Pacientes com disfunção renal, acidose metabólica e aqueles que recebem grandes volumes de sangue armazenado por longos períodos têm maior risco de hipercalemia, devido ao acúmulo de potássio extracelular.

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