FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023
Um homem de 50 anos de idade, com história de diabetes melitus, hipertensão e abuso anterior de narcóticos chega à emergência do Hospital Nova Esperança com alteração do estado mental. Na apresentação, o paciente encontra-se obnubilado. Os valores dos exames laboratoriais colhidos na emergência são o seguinte: pH= 7,21; PaCO₂ =26; HCO₃ = 12; Na+ = 145; cloreto = 100 e glicose = 180 mg/dl. Qual é o distúrbio metabólico acidobásico desse paciente?
Os distúrbios acidobásicos são condições comuns e potencialmente graves, exigindo uma abordagem sistemática para diagnóstico e tratamento. A acidose metabólica é caracterizada por uma redução primária do bicarbonato (HCO3-), levando a uma diminuição do pH sanguíneo. É crucial entender a fisiologia do equilíbrio acidobásico para interpretar corretamente os exames laboratoriais. A avaliação de um distúrbio acidobásico começa com a análise do pH, PaCO2 e HCO3-. No caso, pH 7,21 (acidemia), HCO3 12 (baixo, sugerindo componente metabólico) e PaCO2 26 (baixo, sugerindo compensação respiratória). O próximo passo é calcular o ânion gap: Na+ (145) - (Cl- (100) + HCO3- (12)) = 145 - 112 = 33 mEq/L. Um ânion gap elevado (>12) confirma a acidose metabólica com ânion gap elevado. As causas de acidose metabólica com ânion gap elevado são diversas e incluem cetoacidose diabética (comum em diabéticos, embora a glicose de 180 não seja típica de CAD grave, pode ser um estágio inicial ou outra causa), acidose lática (comum em pacientes com sepse, choque ou hipoperfusão), insuficiência renal e intoxicações. O tratamento visa corrigir a causa subjacente e, se necessário, o distúrbio eletrolítico.
O ânion gap é calculado pela fórmula Na+ - (Cl- + HCO3-). O valor de referência normal é geralmente entre 8 e 12 mEq/L. Um ânion gap elevado indica a presença de ânions não mensuráveis no plasma.
As principais causas podem ser lembradas pelo mnemônico 'MUDPILES': Metanol, Uremia, Cetoacidose (Diabética, Alcoólica, Jejum), Paraldeído, Intoxicação por Ferro/Isoniazida, Acidose Lática, Etilenoglicol, Salicilatos.
A compensação respiratória esperada na acidose metabólica pode ser estimada pela fórmula de Winter: PaCO2 esperado = 1,5 x HCO3- + 8 ± 2. Se o PaCO2 medido estiver fora dessa faixa, sugere um distúrbio respiratório associado.
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