Gasometria Arterial: Interpretação de Distúrbios Acidobásicos

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2015

Enunciado

G.T., 67 anos, sexo masculino, previamente HAS, interna com quadro de pielonefrite, evoluindo com choque séptico, com necessidade de IOT e doses altas de drogas vasoativas. Gasometria arterial com os seguintes parâmetros: pH: 7,25; HCO3: 12;PaO2:70; PaCO2: 32; BE-10, em FiO2 de 0,4. Qual dos seguintes distúrbios acidobásicos é encontrado?

Alternativas

  1. A) Acidose metabólica com alcalose respiratória.
  2. B) Acidose metabólica pura.
  3. C) Acidose metabólica com acidose respiratória.
  4. D) Alcalose metabólica com acidose respiratória.
  5. E) Alcalose respiratória com acidose metabólica.

Pérola Clínica

pH ↓, HCO3 ↓, PaCO2 ↑, BE ↓ = Acidose metabólica + Acidose respiratória.

Resumo-Chave

O pH baixo (7,25) indica acidemia. O HCO3 baixo (12) e BE negativo (-10) indicam acidose metabólica. A PaCO2 elevada (32) para um pH tão baixo, mesmo que aparentemente normal, indica um componente de acidose respiratória, pois a compensação esperada para uma acidose metabólica seria uma PaCO2 ainda mais baixa.

Contexto Educacional

A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade fundamental para médicos, especialmente em situações de emergência e terapia intensiva. Distúrbios acidobásicos são comuns em pacientes críticos, como aqueles com choque séptico e pielonefrite, e seu reconhecimento e manejo adequados são cruciais para a sobrevida. A gasometria fornece informações sobre pH, PaCO2, PaO2, HCO3 e Base Excess (BE), permitindo a identificação de acidose ou alcalose, e se a origem é metabólica ou respiratória. Neste caso, o paciente apresenta um pH ácido, um HCO3 baixo e um BE negativo, indicando uma acidose metabólica primária, provavelmente devido ao choque séptico e à disfunção renal. No entanto, a PaCO2 de 32 mmHg, embora pareça "normal" à primeira vista, é inadequada para a gravidade da acidose metabólica. A compensação respiratória esperada seria uma PaCO2 ainda mais baixa, o que significa que há um componente de acidose respiratória concomitante, possivelmente devido à ventilação inadequada ou à IOT recente. O manejo de distúrbios acidobásicos mistos requer uma abordagem cuidadosa, tratando as causas subjacentes de cada componente. Para a acidose metabólica, o foco é na otimização da perfusão e tratamento do choque. Para a acidose respiratória, a otimização da ventilação mecânica é essencial. Residentes devem praticar a interpretação sistemática da gasometria para identificar distúrbios primários e mistos, e correlacioná-los com o quadro clínico do paciente.

Perguntas Frequentes

Como identificar uma acidose metabólica na gasometria?

A acidose metabólica é caracterizada por pH baixo e bicarbonato (HCO3) baixo, frequentemente acompanhada por um Base Excess (BE) negativo.

Qual a compensação respiratória esperada para uma acidose metabólica?

A compensação respiratória para uma acidose metabólica é a hiperventilação, que resulta na diminuição da PaCO2. A PaCO2 esperada pode ser calculada pela fórmula de Winter: PaCO2 = (1.5 x HCO3) + 8 ± 2.

Quando suspeitar de um distúrbio misto acidobásico?

Suspeita-se de um distúrbio misto quando a compensação esperada para o distúrbio primário não ocorre ou é inadequada, ou quando os parâmetros indicam mais de um distúrbio primário simultaneamente.

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