Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023
Uma paciente de 65 anos idade, com antecedentes de hipertensão e diabetes, deu entrada no pronto-socorro, e seus dados eram os seguintes: paciente sonolenta e taquidispneica; MEG; escala de coma Glasgow 7; FC de 120 bpm; frequência respiratória (FR) de 40 ipm; PA igual a 100 mmHg × 55 mmHg; BRNF 2T sem sopros; MV+ bilateral sem RA. Exame abdominal prejudicado pelo neurológico. Foram colhidos exames, que revelaram o seguinte: pH = 7,32; pCO₂ = 22 mmHg; bicarbonato = 12; pO₂ = 100; saturação = 99%; creatinina = 1,5; ureia = 40 mg/dL (normal: até 40); ácido úrico = 10 (referência para mulheres: 2,4 – 5,7); HB = 10; leucócitos = 10.000; e plaquetas = 80.000.Considerando o caso clínico, assinale a alternativa que apresenta o distúrbio ácido-base compatível com o quadro apresentado.
pH 7,32, pCO₂ 22, HCO₃ 12 → Acidose Metabólica com Alcalose Respiratória (distúrbio misto).
O pH de 7,32 indica acidemia. O bicarbonato baixo (12) sugere acidose metabólica. A pCO₂ baixa (22) indica um componente respiratório. Pela fórmula de Winter (pCO₂ esperada = 1.5 x HCO₃ + 8 ± 2), a pCO₂ esperada seria 26 ± 2. Como a pCO₂ do paciente (22) é menor que a esperada, há uma alcalose respiratória associada, caracterizando um distúrbio misto.
A interpretação de distúrbios ácido-base é uma habilidade fundamental na medicina de emergência e terapia intensiva. A gasometria arterial fornece informações cruciais sobre o equilíbrio ácido-base, oxigenação e ventilação do paciente, sendo essencial para o diagnóstico e manejo de diversas condições clínicas graves. A capacidade de identificar distúrbios mistos é particularmente importante, pois eles podem indicar patologias mais complexas e exigir abordagens terapêuticas específicas. Para a interpretação, inicia-se avaliando o pH para determinar acidemia ou alcalemia. Em seguida, analisa-se a pCO₂ e o bicarbonato para identificar os componentes respiratório e metabólico, respectivamente. É crucial calcular a compensação esperada para o distúrbio primário. No caso de acidose metabólica, a pCO₂ esperada é calculada pela Fórmula de Winter. Se a pCO₂ medida for diferente da esperada, um segundo distúrbio está presente. O manejo de distúrbios ácido-base mistos exige a identificação e tratamento das causas subjacentes de cada componente. No caso de acidose metabólica com alcalose respiratória, como no exemplo, é preciso investigar as causas da acidose (ex: cetoacidose, insuficiência renal, sepse) e da alcalose respiratória (ex: ansiedade, dor, hipoxemia, lesão cerebral). A correção do distúrbio primário geralmente leva à resolução dos componentes secundários, mas em alguns casos, intervenções específicas para cada desequilíbrio podem ser necessárias.
Um distúrbio misto é identificado quando os parâmetros (pH, pCO₂, HCO₃) não se encaixam em um distúrbio simples ou quando a compensação esperada para um distúrbio primário é inadequada. Por exemplo, uma pCO₂ mais baixa que a esperada em uma acidose metabólica indica alcalose respiratória associada.
A Fórmula de Winter (pCO₂ esperada = 1.5 x HCO₃ + 8 ± 2) é crucial para determinar se a compensação respiratória para uma acidose metabólica é apropriada. Se a pCO₂ medida for menor que a esperada, há uma alcalose respiratória concomitante; se for maior, há uma acidose respiratória concomitante.
Essa combinação pode ocorrer em pacientes com sepse, intoxicação por salicilatos (onde há estimulação do centro respiratório e acidose metabólica), ou em situações de choque com hiperventilação compensatória excessiva ou concomitante lesão pulmonar/cerebral.
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