HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023
Homem de 18 anos de idade é admitido na unidade de emergência com queixa de dor abdominal de intensidade moderada, náuseas, sede intensa, aumento da ingesta hídrica, perda ponderal involuntária e poliúria, que se iniciou há algumas horas. Ao exame físico, está em regular estado geral, desidratado (2+/4+), taquipneico, taquicárdico e normotenso. O seu exame abdominal evidenciou dor difusa, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais coletados na admissão evidenciaram: glicose: 450mg/dL (VR < 99mg/dL); sódio: 125mEq/L (VR: 136 - 145mEq/L); cloro: 107mEq/L (VR: 98 - 107mEq/L); pH: 7,20 (VR: 7,35 - 7,45); pO₂: 150mmHg (VR: 80 - 100mmHg); pCO₂: 30mmHg (VR: 35 - 45mmHg); bicarbonato (HCO₃): 12mmol/L (VR: 22 a 26); base excess (BE): -10 (VR: -3 a +3); cálcio total: 8,4mg/dL (VR: 8,6 - 10,3mg/dL); albumina: 2,5g/dL (VR: 3,5 - 5,2g/dL); cetonemia: positiva (VR: negativa). Qual é o diagnóstico gasométrico?
pH baixo, HCO3 baixo, pCO2 baixo mas acima do esperado pela fórmula de Winter → acidose metabólica com acidose respiratória.
A gasometria revela acidemia (pH 7.20) com um bicarbonato baixo (12 mmol/L), indicando acidose metabólica. O pCO2 de 30 mmHg, embora baixo, é mais alto do que o esperado pela compensação respiratória (pCO2 esperado ~26 mmHg pela fórmula de Winter), sugerindo uma acidose respiratória sobreposta ou uma compensação respiratória inadequada.
A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade fundamental para médicos, especialmente em ambientes de emergência e terapia intensiva. Ela permite a avaliação rápida do equilíbrio ácido-base e da oxigenação. Os distúrbios ácido-base podem ser simples (um único distúrbio primário com sua compensação) ou mistos (dois ou mais distúrbios primários ocorrendo simultaneamente). A identificação correta é crucial para o manejo clínico adequado. Para interpretar uma gasometria, segue-se uma abordagem sistemática: primeiro, avalia-se o pH para determinar se há acidemia ou alcalemia. Em seguida, analisa-se o pCO2 e o HCO3 para identificar o distúrbio primário. Um pH baixo com HCO3 baixo indica acidose metabólica, enquanto um pH baixo com pCO2 alto indica acidose respiratória. A compensação é a resposta fisiológica do sistema respiratório ou renal para tentar normalizar o pH. No caso apresentado, o pH de 7.20 indica acidemia. O bicarbonato de 12 mmol/L está baixo, confirmando uma acidose metabólica primária. Para avaliar a compensação respiratória, utiliza-se a fórmula de Winter: pCO2 esperado = (1.5 x HCO3) + 8 ± 2. Com HCO3 de 12, o pCO2 esperado seria (1.5 x 12) + 8 ± 2 = 18 + 8 ± 2 = 26 ± 2 (ou seja, entre 24 e 28 mmHg). O pCO2 do paciente é 30 mmHg. Como 30 mmHg é maior que o pCO2 esperado para uma compensação adequada, isso indica que há uma acidose respiratória sobreposta ou uma compensação respiratória inadequada, resultando em um distúrbio misto de acidose metabólica com acidose respiratória.
A acidose metabólica é caracterizada por pH baixo e bicarbonato (HCO3) baixo. Pode ser de alto ou normal anion gap, dependendo da causa subjacente.
Um pCO2 de 30 mmHg indica hiperventilação, que é a compensação respiratória para a acidose metabólica. No entanto, é preciso comparar com o pCO2 esperado pela fórmula de Winter para determinar se a compensação é adequada ou se há um distúrbio respiratório adicional.
A fórmula de Winter (pCO2 esperado = 1.5 x HCO3 + 8 ± 2) ajuda a determinar se a compensação respiratória para uma acidose metabólica é apropriada, excessiva (alcalose respiratória primária) ou insuficiente (acidose respiratória primária).
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