UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2021
Criança de 4 anos de idade, previamente hígida, sem queixas recentes e deixada desassistida em domicílio, é encontrada na garagem de sua casa desacordada e levada ao pronto-socorro sem informações claras do ocorrido. A gasometria revelou pH=7,1; pCO2=12 mmHg; HCO3=8mEq/L; Cl=104mEq/L; Na=140mEq/L. Sobre os diagnósticos etiológico e gasométrico mais adequados para o paciente, assinale a alternativa correta:
Acidose metabólica com AG aumentado + alcalose respiratória em criança desacordada → suspeitar intoxicação exógena (ex: salicilatos).
A gasometria revela acidose metabólica com ânion gap aumentado (AG=28) e uma pCO2 muito baixa (12 mmHg), que é menor que a esperada pela compensação respiratória para a acidose metabólica (pCO2 esperada ~20 mmHg). Essa combinação de acidose metabólica e alcalose respiratória é clássica de intoxicações por salicilatos, que causam acidose metabólica e estimulam o centro respiratório.
A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade crucial na prática médica, especialmente em emergências pediátricas. Distúrbios ácido-base em crianças podem ser complexos e frequentemente indicam condições subjacentes graves, como intoxicações ou choque. A abordagem sistemática envolve a avaliação do pH, pCO2, HCO3 e o cálculo do ânion gap. No caso apresentado, a acidose metabólica com ânion gap aumentado (AG=28) e a alcalose respiratória concomitante (pCO2 de 12 mmHg, abaixo do esperado pela compensação) são achados clássicos de intoxicação por salicilatos. Os salicilatos estimulam o centro respiratório, causando hiperventilação e alcalose respiratória inicial, e posteriormente levam à acidose metabólica por desacoplamento da fosforilação oxidativa e inibição de enzimas do ciclo de Krebs. O diagnóstico diferencial de acidose metabólica com ânion gap aumentado inclui cetoacidose (diabética, jejum), acidose lática, insuficiência renal e outras intoxicações (metanol, etilenoglicol). A presença de alcalose respiratória associada é uma pista importante para salicilatos. O manejo inicial envolve estabilização do paciente, suporte ventilatório se necessário, e medidas específicas para a intoxicação, como lavagem gástrica, carvão ativado e alcalinização da urina para aumentar a excreção de salicilatos.
Um pH baixo e HCO3 baixo indicam acidose metabólica. Uma pCO2 muito baixa pode ser uma compensação respiratória. Se a pCO2 for menor que a esperada pela fórmula de Winter, há uma alcalose respiratória concomitante ou hiperventilação excessiva.
O ânion gap (AG) é a diferença entre os cátions e ânions não mensuráveis no plasma. Um AG aumentado (>12) na acidose metabólica sugere acúmulo de ácidos endógenos ou exógenos, como na cetoacidose, acidose lática ou intoxicações.
A intoxicação por salicilatos (aspirina) é um exemplo clássico. Salicilatos causam acidose metabólica por desacoplamento da fosforilação oxidativa e estimulam diretamente o centro respiratório, levando à hiperventilação e alcalose respiratória.
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