Distúrbio Ventilatório Restritivo: Diagnóstico e Causas

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 55 anos, com história prévia de doença pulmonar quando mais jovem, vem apresentando, há alguns meses, episódios de tosse seca, associados a períodos de dispneia aos esforços. Existe história de tabagismo com consumo de 35 maços/ano e etilismo social. O exame físico mostra obesidade, IMC = 34kg/m², taquipneia, murmúrio vesicular diminuído principalmente em bases, crepitações e alguns sibilos. A prova de função respiratória mostra capacidade vital forçada (CVF) = 2,00 (normal: 3,31), volume expiratório no primeiro segundo (VEF1s) = 1,70 (normal: 2,86) e, após o uso de broncodilatador, CVF = 2,10 e VEF1s = 1,74. Em relação ao caso apresentado, a melhor definição do tipo de distúrbio ventilatório e de uma doença a ele relacionada, respectivamente, são:

Alternativas

  1. A) restritivo reversível / sarcoidose
  2. B) obstrutivo reversível / asma brônquica
  3. C) obstrutivo não reversível / enfisema pulmonar 
  4. D) restritivo não reversível / pneumonia intersticial não específica

Pérola Clínica

CVF ↓, VEF1 ↓, VEF1/CVF normal, sem reversibilidade → Distúrbio restritivo não reversível.

Resumo-Chave

Um distúrbio ventilatório restritivo é caracterizado pela redução da Capacidade Vital Forçada (CVF) e do Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1), com uma relação VEF1/CVF normal ou aumentada. A ausência de resposta significativa ao broncodilatador indica não reversibilidade. A pneumonia intersticial não específica (NSIP) é uma doença pulmonar intersticial que se encaixa nesse padrão.

Contexto Educacional

Os distúrbios ventilatórios são classificados em obstrutivos, restritivos ou mistos, com base nos resultados da espirometria. Um distúrbio ventilatório restritivo é caracterizado pela redução dos volumes pulmonares, como a Capacidade Vital Forçada (CVF) e o Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1), enquanto a relação VEF1/CVF permanece normal ou até aumentada. A ausência de reversibilidade ao broncodilatador indica que a alteração é fixa, não responsiva à broncodilatação. A fisiopatologia dos distúrbios restritivos envolve a diminuição da complacência pulmonar ou da parede torácica, dificultando a expansão pulmonar. Isso pode ser causado por doenças do parênquima pulmonar (fibrose, doenças intersticiais), da pleura, da parede torácica (cifoescoliose, obesidade mórbida) ou neuromusculares. No caso apresentado, a história de tabagismo, crepitações e o padrão espirométrico sugerem uma doença pulmonar intersticial, como a Pneumonia Intersticial Não Específica (NSIP). A Pneumonia Intersticial Não Específica (NSIP) é uma das doenças pulmonares intersticiais idiopáticas, caracterizada por inflamação e/ou fibrose do interstício pulmonar. O tratamento da NSIP e de outros distúrbios restritivos não reversíveis geralmente envolve o manejo dos sintomas, oxigenoterapia, reabilitação pulmonar e, em alguns casos, imunossupressores ou antifibróticos, dependendo da etiologia e da atividade da doença. O prognóstico varia, mas a identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para tentar preservar a função pulmonar e melhorar a qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Como a espirometria diferencia um distúrbio ventilatório restritivo de um obstrutivo?

No distúrbio restritivo, há redução da Capacidade Vital Forçada (CVF) e do Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1), mas a relação VEF1/CVF é normal ou aumentada. No obstrutivo, a relação VEF1/CVF está reduzida, indicando dificuldade de esvaziamento pulmonar.

O que significa a ausência de reversibilidade ao broncodilatador em um distúrbio ventilatório?

A ausência de reversibilidade significa que a obstrução ou restrição não melhora significativamente após a administração de um broncodilatador. Isso sugere que a doença pulmonar subjacente tem um componente fixo, como fibrose ou remodelamento crônico, e não é primariamente broncoconstrição reversível.

Quais são as características da Pneumonia Intersticial Não Específica (NSIP) e por que ela se relaciona a um padrão restritivo não reversível?

A NSIP é uma doença pulmonar intersticial idiopática que causa inflamação e fibrose do parênquima pulmonar. Essa fibrose leva à perda de complacência pulmonar e redução dos volumes, resultando em um padrão restritivo na espirometria que, devido à fibrose, é geralmente não reversível.

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