Distúrbio Mineral e Ósseo na DRC e Risco de Óbito

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Homem, 59 anos de idade, em hemodiálise há 18 meses devido à doença renal crônica secundária à diabetes mellitus tipo 2. Durante os últimos três meses vem se queixando de fadiga crescente, câimbras musculares e dor óssea. Exames laboratoriais revelam hemoglobina: 8,9 g/dL, PTH intacto: 850 pg/mL, cálcio sérico: 7,8 mg/dL, fósforo: 6,1 mg/dL.\n\nConsiderando a correlação com as alterações crônicas do metabolismo do cálcio, identifique a causa que mais provavelmente poderia levar esse paciente a óbito:

Alternativas

  1. A) Infarto agudo do miocárdio.
  2. B) Pancreatite aguda.
  3. C) Infecção de corrente sanguínea.
  4. D) Insuficiência respiratória aguda. Situação-Problema: Questões de 37 a 39. Homem, 62 anos de idade, com diagnóstico de glioblastoma multiforme há 10 meses, previamente tratado com cirurgia, radioterapia e quimioterapia com temozolomida, comparece ao ambulatório com quadro de cefaleia intensa, piora progressiva nas últimas semanas, associada a episódios de confusão mental, estando restrito ao leito ou na cadeira de rodas todo o tempo. O exame neurológico revela hemiparesia direita e papiledema. A família relata que o paciente se tornou mais sonolento e não consegue se alimentar. A ressonância magnética recente mostra crescimento tumoral significativo com edema peritumoral.

Pérola Clínica

DRC + ↑PTH + ↑P + ↓Ca → Hiperparatireoidismo secundário + alto risco de calcificação cardiovascular e IAM.

Resumo-Chave

O distúrbio mineral e ósseo na DRC promove calcificação de artérias e válvulas, tornando eventos cardiovasculares a principal causa de óbito nesses pacientes.

Contexto Educacional

O Distúrbio Mineral e Ósseo da Doença Renal Crônica (DMO-DRC) é uma desordem sistêmica que manifesta-se por alterações no PTH, cálcio, fósforo e vitamina D, além de anormalidades na remodelação óssea e calcificações extraesqueléticas. O manejo clínico foca no controle do fósforo (quelantes), suplementação de vitamina D e uso de calcimiméticos para reduzir o PTH e, consequentemente, mitigar o risco de eventos cardiovasculares maiores, que dominam o prognóstico desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Por que o PTH aumenta na doença renal crônica?

O aumento do PTH (hiperparatireoidismo secundário) ocorre devido à retenção de fósforo, redução da produção de calcitriol (vitamina D ativa) pelos rins e consequente hipocalcemia. Esses fatores estimulam as glândulas paratireoides a secretarem mais PTH para tentar normalizar os níveis de cálcio às custas da reabsorção óssea.

Qual a relação entre fósforo alto e mortalidade cardiovascular?

A hiperfosfatemia persistente induz a transdiferenciação das células musculares lisas vasculares em células de fenótipo osteoblástico, levando à calcificação da camada média das artérias. Isso aumenta a rigidez arterial, a pressão de pulso e a hipertrofia ventricular esquerda, culminando em eventos isquêmicos e arritmias.

Por que o IAM é a principal causa de óbito no paciente dialítico?

Pacientes em hemodiálise possuem uma combinação de fatores de risco tradicionais (diabetes, hipertensão) e não tradicionais (estresse oxidativo, inflamação crônica, calcificação vascular pelo distúrbio mineral). Essa sinergia acelera a aterosclerose e a arteriosclerose, tornando o infarto agudo do miocárdio a causa número um de morte.

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