DRC-MBD: Fisiopatologia e Papel do FGF23

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

A figura abaixo representa a variação das concentrações plasmáticas de 1,25 (OH)₂D₃ e a porcentagem de aumento de PTH em pacientes com diferentes estágios de insuficiência renal crônica.Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A variação das concentrações de 1,25 (OH)2D3 em função do clearance de creatinina está associada à redução da concentração sérica de fosfato.
  2. B) O aumento da secreção de PTH induz a redução das concentrações de 1,25 (OH)2D3.
  3. C) A redução do clearance de creatinina está associada a aumento da secreção de FGF23 pelos osteócitos.
  4. D) O uso de calcimético, droga que se liga ao sensor de cálcio, poderá agravar a secreção aumentada de PTH.

Pérola Clínica

DRC → ↓ clearance creatinina → ↑ FGF23 (compensatório inicial) → ↑ PTH e ↓ 1,25(OH)₂D₃.

Resumo-Chave

Na Doença Renal Crônica (DRC), a redução do clearance de creatinina leva a alterações no metabolismo mineral. O FGF23 é um hormônio secretado pelos osteócitos que aumenta precocemente na DRC para manter o balanço de fosfato, antes mesmo da elevação do PTH ou queda da vitamina D ativa.

Contexto Educacional

O Distúrbio Mineral e Ósseo Associado à Doença Renal Crônica (CKD-MBD) é uma complicação sistêmica comum e grave da DRC, caracterizada por anormalidades no metabolismo do cálcio, fósforo, PTH e vitamina D, além de alterações na remodelação óssea e calcificações vasculares. Sua prevalência aumenta com a progressão da DRC, impactando significativamente a morbidade e mortalidade dos pacientes. A fisiopatologia da CKD-MBD é complexa e multifatorial. Com a redução do clearance de creatinina, ocorre retenção de fosfato, que estimula a secreção de FGF23 pelos osteócitos. O FGF23, por sua vez, inibe a produção renal de 1,25(OH)₂D₃ e promove a fosfatúria. A deficiência de 1,25(OH)₂D₃ e a hiperfosfatemia contribuem para a hipocalcemia, que estimula a secreção de PTH, levando ao hiperparatireoidismo secundário. Este ciclo vicioso resulta em osteodistrofia renal e calcificações ectópicas. O manejo da CKD-MBD envolve o controle do fosfato sérico (restrição dietética, quelantes de fosfato), a suplementação de vitamina D (análogos da vitamina D ativa), e o controle do hiperparatireoidismo (calcimiméticos, paratireoidectomia em casos refratários). O objetivo é manter os níveis de cálcio, fósforo e PTH dentro de faixas alvo para prevenir fraturas, calcificações vasculares e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com DRC.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do FGF23 na Doença Renal Crônica?

O FGF23 (Fator de Crescimento de Fibroblastos 23) é um hormônio que se eleva precocemente na DRC em resposta ao aumento do fosfato. Ele age nos rins para promover a fosfatúria e inibir a produção de 1,25(OH)₂D₃, tentando manter o balanço de fosfato, mas contribuindo para o hiperparatireoidismo secundário.

Como a DRC afeta o metabolismo da vitamina D?

Na DRC, a capacidade dos rins de converter a 25(OH)D em sua forma ativa, 1,25(OH)₂D₃, é progressivamente reduzida. Isso leva à deficiência de vitamina D ativa, que contribui para a hipocalcemia e o hiperparatireoidismo secundário.

Qual o mecanismo de ação dos calcimiméticos no tratamento da DRC-MBD?

Os calcimiméticos, como o cinacalcete, atuam aumentando a sensibilidade do receptor sensor de cálcio (CaSR) nas glândulas paratireoides ao cálcio sérico. Isso resulta na supressão da secreção de PTH, ajudando a controlar o hiperparatireoidismo secundário na DRC.

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