INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Durante avaliação em alojamento conjunto de uma maternidade de recém-nascido com 24 horas de vida, observa-se genitália de aparência masculina, mas com criptorquidia bilateral, sem palpação de testículos em canal inguinal.Diante da hipótese de um distúrbio de diferenciação sexual, e considerando-se questões éticas, legais e de risco-benefício, assinale a alternativa correta quanto à conduta adequada para esse caso.
RN com genitália masculina e criptorquidia bilateral → suspeita DDS = cariótipo + hormônios + equipe multidisciplinar antes de definir sexo.
Recém-nascido com genitália ambígua ou atípica (como genitália masculina com criptorquidia bilateral) requer investigação imediata para Distúrbio de Diferenciação Sexual (DDS). A conduta inicial inclui cariótipo e exames hormonais, além de acompanhamento por equipe multidisciplinar, antes de qualquer intervenção cirúrgica ou definição de sexo civil.
Distúrbios da Diferenciação Sexual (DDS) são condições congênitas em que o desenvolvimento cromossômico, gonadal ou anatômico do sexo é atípico. A apresentação mais comum é a genitália ambígua, mas outras formas, como a criptorquidia bilateral em um recém-nascido com genitália de aparência masculina, também podem indicar um DDS e exigem investigação urgente. A prevalência de DDS é de aproximadamente 1 em 4.500 nascidos vivos, e o diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações e garantir o desenvolvimento adequado da criança. A abordagem inicial de um recém-nascido com suspeita de DDS é complexa e deve ser cuidadosa, considerando aspectos médicos, éticos, legais e psicossociais. É imperativo evitar a atribuição precipitada do sexo civil ou a realização de cirurgias corretivas antes de um diagnóstico definitivo. A investigação inclui a determinação do cariótipo (46,XX, 46,XY ou mosaicos), dosagens hormonais (como 17-hidroxiprogesterona para rastrear Hiperplasia Adrenal Congênita, testosterona, diidrotestosterona, LH, FSH) e exames de imagem (ultrassonografia pélvica e abdominal) para identificar a presença de útero, ovários ou testículos. O manejo de um DDS deve ser feito por uma equipe multidisciplinar experiente, que inclui endocrinologistas pediátricos, geneticistas, cirurgiões pediátricos, psicólogos e assistentes sociais. Essa equipe é responsável por comunicar o diagnóstico à família de forma sensível, discutir as implicações e opções de tratamento, e apoiar a decisão sobre o sexo de criação, que deve ser baseada em todos os dados disponíveis e nas perspectivas de longo prazo para a criança. A cirurgia, quando indicada, é geralmente postergada para permitir o crescimento da criança e uma decisão mais informada.
Os primeiros passos incluem a realização de cariótipo para determinar o sexo cromossômico, exames hormonais (como 17-hidroxiprogesterona, testosterona, cortisol) para avaliar a função adrenal e gonadal, e exames de imagem para identificar órgãos genitais internos.
A HAC, especialmente a deficiência de 21-hidroxilase, é a causa mais comum de genitália ambígua em meninas (virilização). Embora a questão descreva genitália masculina, a HAC deve ser considerada e descartada, especialmente pela possibilidade de crise adrenal.
A equipe multidisciplinar (endocrinologista pediátrico, geneticista, cirurgião pediátrico, psicólogo, assistente social) é fundamental para fornecer um diagnóstico preciso, discutir as opções de tratamento com a família, e oferecer suporte psicossocial, garantindo uma abordagem ética e integral.
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