SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022
Paciente, 27 anos, sexo masculino, vítima de acidente automobilístico, chega ao serviço de emergência com intensa dor torácica, taquidispneia com baixa amplitude de movimento respiratório, taquicardia, hipotensão e movimento paradoxal do tórax direito.Em relação ao paciente da questão anterior, foi colhida uma gasometria arterial, na sua admissão, antes de ser instituído tratamento. Qual o distúrbio ácido-básico esperado para o caso?
Trauma torácico grave com choque e insuficiência respiratória → Acidose mista (respiratória por hipoventilação, metabólica por hipoperfusão).
Em pacientes com trauma torácico grave e sinais de choque, a hipoventilação devido à dor e lesão pulmonar leva à acidose respiratória (retenção de CO2). Simultaneamente, a hipoperfusão tecidual resultante do choque causa metabolismo anaeróbico e acúmulo de lactato, resultando em acidose metabólica. A combinação desses fatores leva a um distúrbio ácido-básico misto.
O trauma torácico é uma das principais causas de morbimortalidade em acidentes automobilísticos, e a avaliação rápida dos distúrbios ácido-básicos é fundamental. A acidose mista, caracterizada pela combinação de acidose respiratória e metabólica, é um achado comum em pacientes com trauma grave e choque. Sua identificação precoce é vital para guiar a reanimação e o manejo adequado, impactando diretamente o prognóstico do paciente. A fisiopatologia da acidose mista em trauma envolve múltiplos fatores. A acidose respiratória surge da hipoventilação, seja por dor intensa, lesões pulmonares (contusão, pneumotórax, tórax instável) ou depressão do centro respiratório. Isso leva à retenção de CO2 e queda do pH. Concomitantemente, o choque (hipovolêmico, obstrutivo ou cardiogênico) resulta em hipoperfusão tecidual generalizada, levando ao metabolismo anaeróbico e acúmulo de ácido lático, que causa a acidose metabólica. A interação desses mecanismos resulta no quadro misto. O tratamento da acidose mista no trauma foca na correção das causas subjacentes: otimização da ventilação (analgesia, suporte ventilatório, drenagem de tórax) para a acidose respiratória, e reversão do choque (reposição volêmica, controle de hemorragias, suporte vasopressor) para a acidose metabólica. A monitorização contínua da gasometria é essencial para avaliar a resposta ao tratamento e ajustar as intervenções.
Sinais clínicos incluem taquipneia (compensatória ou por insuficiência respiratória), hipotensão, taquicardia, alteração do nível de consciência e evidências de trauma torácico grave como movimento paradoxal, que indicam tanto disfunção respiratória quanto choque.
A hipoventilação (por dor, lesão pulmonar ou depressão respiratória) leva à retenção de CO2 e acidose respiratória. O choque, por sua vez, causa hipoperfusão tecidual, levando ao metabolismo anaeróbico e produção de ácido lático, resultando em acidose metabólica.
A gasometria arterial é crucial para avaliar o estado ácido-básico, a oxigenação e a ventilação do paciente. Ela permite identificar rapidamente distúrbios como a acidose mista, orientando condutas de reanimação e suporte ventilatório.
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