Distrofia Muscular de Duchenne: Diagnóstico Inicial

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Menino, 7 anos, andou sem apoio com 15 meses, falou as primeiras palavras com 24 meses e sempre se cansava mais rapidamente que os outros colegas nas brincadeiras. Teve dificuldade na alfabetização. Há um ano, está com dificuldade para se levantar do chão e subir escadas. Mãe o leva ao ambulatório por queixa de quedas frequentes, com piora no último ano. Refere que teve um filho que faleceu aos 10 anos por pneumonia, e recorda que o mesmo tinha dificuldades semelhante até chegar a parar de andar com 9 anos. Exame físico: força grau 4/5 nos membros inferiores; reflexos patelares de difícil obtenção; hipertrofia de panturrilhas. Pode-se afirmar que o primeiro exame a ser solicitado para investigar a queixa principal é:

Alternativas

  1. A) biópsia muscular
  2. B) eletroneuromiografia
  3. C) creatinafosfoquinase sérica
  4. D) ressonância magnética do encéfalo

Pérola Clínica

Fraqueza muscular progressiva em menino + hipertrofia de panturrilhas + história familiar + CPK ↑ = Distrofia Muscular de Duchenne.

Resumo-Chave

A Distrofia Muscular de Duchenne é uma doença neuromuscular progressiva ligada ao X, caracterizada por fraqueza muscular proximal, hipertrofia de panturrilhas e elevação acentuada da CPK sérica, sendo este o exame inicial mais sensível.

Contexto Educacional

A Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) é a distrofia muscular mais comum e grave na infância, com uma incidência de aproximadamente 1 em cada 3.500 nascimentos masculinos. É uma doença neuromuscular progressiva, de herança ligada ao cromossomo X, causada por mutações no gene que codifica a distrofina, uma proteína essencial para a estabilidade da membrana muscular. A fisiopatologia da DMD envolve a ausência ou disfunção da distrofina, levando à fragilidade da membrana das células musculares, tornando-as suscetíveis a danos durante a contração. Isso resulta em necrose muscular progressiva, substituída por tecido fibroso e adiposo. Clinicamente, manifesta-se por fraqueza muscular proximal progressiva, inicialmente nos membros inferiores, levando a atraso motor, dificuldade para correr, pular, subir escadas e levantar do chão (sinal de Gowers). A pseudohipertrofia de panturrilhas é um achado característico. O diagnóstico inicial é fortemente sugerido pela elevação acentuada da creatinafosfoquinase (CPK) sérica, que pode estar 10 a 100 vezes acima do normal. Após a suspeita clínica e laboratorial, o diagnóstico é confirmado por testes genéticos que identificam mutações no gene da distrofina. O tratamento é multidisciplinar e visa retardar a progressão da doença e manejar as complicações, incluindo fisioterapia, uso de corticosteroides e suporte respiratório e cardíaco.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da CPK sérica na suspeita de DMD?

A creatinafosfoquinase (CPK) sérica é o exame inicial mais importante e sensível na suspeita de DMD, pois seus níveis estão acentuadamente elevados (10 a 100 vezes o normal) devido à necrose muscular.

Quais são os sinais clínicos precoces da Distrofia Muscular de Duchenne?

Sinais precoces incluem atraso no desenvolvimento motor (andar, falar), dificuldade para subir escadas ou levantar do chão (sinal de Gowers) e hipertrofia de panturrilhas, que na verdade é pseudohipertrofia por substituição muscular por tecido adiposo e fibroso.

Como a história familiar influencia o diagnóstico de DMD?

A DMD tem herança ligada ao cromossomo X, afetando predominantemente meninos. Uma história familiar de outros meninos com fraqueza muscular progressiva ou óbitos precoces por complicações respiratórias ou cardíacas é um forte indicativo.

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