Distrofia Microcística de Cogan e Erosão Recorrente

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009

Enunciado

A erosão recorrente do epitélio da córnea secundária à distrofia microcística tem como características:

Alternativas

  1. A) Ruptura das fibrilas de colágeno que promovem adesão da membrana basal à camada de Bowman sem alteração dos hemidesmossomas
  2. B) Depósito de glicosaminoglicanos na membrana de Bowman com seu afastamento da membrana basal do epitélio
  3. C) Defeito na adesão do epitélio à sua membrana basal e redução do número de hemidesmossomos
  4. D) Depósitos que coram pela tintura vermelho-congo na porção superficial e média do estroma da córnea

Pérola Clínica

Distrofia de Cogan = ↓ hemidesmossomos + membrana basal redundante → erosões recorrentes.

Resumo-Chave

A erosão recorrente na distrofia de Cogan ocorre devido a uma membrana basal epitelial anormal e redundante que impede a formação de hemidesmossomos funcionais.

Contexto Educacional

A distrofia microcística de Cogan, também conhecida como distrofia de Map-Dot-Fingerprint, é a distrofia anterior da córnea mais comum. Sua importância clínica reside na associação com a síndrome de erosão recorrente da córnea. Fisiopatologicamente, a produção excessiva de material de membrana basal e a ausência de hemidesmossomos criam um plano de clivagem fraco. Durante o sono, a aderência da pálpebra ao epitélio corneano pode ser mais forte do que a adesão do epitélio à sua base, levando ao arrancamento epitelial ao abrir os olhos. O entendimento ultraestrutural dessa patologia é frequentemente cobrado em exames de especialização.

Perguntas Frequentes

Qual a causa da erosão recorrente na distrofia de Cogan?

A causa primária é um defeito na síntese da membrana basal epitelial, que se torna redundante e se projeta para o epitélio (formando os padrões de 'mapa', 'ponto' ou 'impressão digital'). Essa membrana basal anormal impede a formação adequada de hemidesmossomos, que são as estruturas responsáveis por ancorar as células epiteliais basais à membrana de Bowman, resultando em instabilidade epitelial e erosões.

Como é o quadro clínico da distrofia microcística?

A maioria dos pacientes é assintomática, mas cerca de 10% desenvolvem erosões epiteliais recorrentes, geralmente na segunda ou terceira década de vida. Os sintomas incluem dor ocular súbita (frequentemente ao acordar), fotofobia, lacrimejamento e visão borrada. Ao exame, observam-se microcistos epiteliais e opacidades subepiteliais.

Qual o tratamento para erosão recorrente da córnea?

O tratamento inicial envolve lubrificantes oculares, pomadas noturnas e lentes de contato terapêuticas. Em casos recalcitrantes, podem ser indicados procedimentos como a micropuntura do estroma anterior, desbridamento epitelial ou ceratectomia fototerapêutica (PTK) com Excimer laser para promover uma nova adesão epitelial.

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