CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2013
A seguir estão representadas as fotografias da biomicroscopia do olho direito e do olho esquerdo (esta sob retroiluminação) obtidas de um paciente de 65 anos de idade, queixando-se de embaçamento visual bilateral e sensação de corpo estranho, mais intensamente no olho direito. Logo adiante, está a representação do exame subsidiário solicitado para o olho esquerdo. É correto afirmar:
Fuchs → Edema e embaçamento visual matinal (piora ao despertar por ↓ evaporação noturna).
A Distrofia de Fuchs causa perda progressiva de células endoteliais, levando ao edema estromal que se agrava durante o sono devido à falta de evaporação lacrimal com as pálpebras fechadas.
A Distrofia Endotelial de Fuchs é uma condição bilateral, frequentemente assimétrica, que afeta predominantemente mulheres idosas. A fisiopatologia envolve a disfunção das bombas iônicas endoteliais, levando à falha na manutenção da deturgescência corneana. O diagnóstico precoce é clínico, mas a microscopia especular é fundamental para quantificar a densidade celular endotelial. Na prática clínica, o manejo inicial envolve o uso de soluções hipertônicas (cloreto de sódio 5%) para reduzir o edema por osmose. A progressão da doença pode levar à ceratopatia bolhosa, onde bolhas epiteliais se rompem, causando dor intensa e risco de infecções secundárias.
Durante o sono, com as pálpebras fechadas, não ocorre a evaporação da lágrima, o que reduz a osmolaridade do filme lacrimal. Em um endotélio doente (como na Distrofia de Fuchs), isso impede a retirada osmótica de água da córnea, resultando em maior edema estromal e epitelial ao despertar. Ao longo do dia, com os olhos abertos, a evaporação retoma e o edema diminui, melhorando a visão.
A retroiluminação permite visualizar as 'guttae' (gotas), que são excrescências da membrana de Descemet produzidas por células endoteliais alteradas. Elas aparecem como pequenas depressões ou aspecto de 'metal batido' no endotélio corneano, sendo o sinal patognomônico inicial da doença.
Quando o edema de córnea torna-se persistente e a acuidade visual é significativamente comprometida, o tratamento definitivo é o transplante de córnea. Atualmente, preferem-se técnicas lamelares posteriores, como o DSAEK ou DMEK, que substituem apenas a camada endotelial doente, preservando a estrutura anterior da córnea.
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