CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2010
Paciente do sexo feminino, 62 anos de idade, com queixa progressiva de embaçamento visual, pior no início do dia, apresenta o quadro clínico abaixo, com aspecto semelhante em ambos os olhos. É portadora de hipertensão arterial sistêmica controlada com medicamentos. Há 4 meses passou a queixar-se de dores articulares e lombar. O diagnóstico mais provável é:
Embaçamento visual matinal + Córnea guttata = Distrofia Endotelial de Fuchs.
A Distrofia de Fuchs causa perda progressiva de células endoteliais; o edema é pior pela manhã devido à falta de evaporação lacrimal durante o sono, melhorando ao longo do dia.
A Distrofia Endotelial de Fuchs é uma condição bilateral, frequentemente assimétrica, com herança autossômica dominante e maior prevalência em mulheres idosas. A patogênese envolve a morte programada acelerada das células endoteliais, que não possuem capacidade regenerativa. Como o endotélio é responsável por manter o estado de detumescência (desidratação relativa) da córnea através de bombas de Na+/K+ ATPase, sua falência leva ao edema. Clinicamente, o paciente queixa-se de névoa visual ao acordar. O diagnóstico é clínico, mas a microscopia especular e a paquimetria ultrassônica são ferramentas essenciais para quantificar a densidade celular e a espessura corneana, auxiliando no planejamento cirúrgico e acompanhamento da doença.
Durante o sono, as pálpebras fechadas impedem a evaporação da lágrima, o que torna o filme lacrimal menos hipertônico. Sem a força osmótica da lágrima para ajudar a 'puxar' a água da córnea e com um endotélio já doente e ineficiente na sua função de bomba, o estroma corneano acumula líquido (edema) durante a noite. Ao acordar e abrir os olhos, a evaporação retoma, a osmolaridade lacrimal aumenta e o edema reduz gradualmente, melhorando a visão.
O sinal patognomônico inicial são as 'guttae' (córnea guttata), que são excrescências da membrana de Descemet visíveis na superfície posterior da córnea, assemelhando-se a metal batido. Com a progressão, observa-se edema estromal, dobras na membrana de Descemet e, em estágios avançados, edema epitelial com formação de microbolhas (ceratopatia bolhosa).
Nos estágios iniciais, utilizam-se colírios ou pomadas hipertônicas (cloreto de sódio 5%) para reduzir o edema. Em casos avançados com perda visual significativa ou dor por ruptura de bolhas, o tratamento é cirúrgico, preferencialmente através de transplantes endoteliais lamelares como o DSAEK ou o DMEK, que substituem apenas a camada doente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo