Distopia Testicular Bilateral: Abordagem Diagnóstica

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023

Enunciado

Menino, 2 anos de idade, vem encaminhado por diagnóstico de distopia testicular. Exame físico: pênis de 4 cm, uretra tópica e com boa exposição de glande. Testículos não palpáveis bilateralmente. Antecedentes familiares: irmão mais velho faleceu após quadro de vômitos na primeira semana de vida. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Correção cirúrgica imediata.
  2. B) Correção cirúrgica a partir dos 5 anos.
  3. C) Ultrassonografia pélvica.
  4. D) Tratamento hormonal com gonadotrofina coriônica.

Pérola Clínica

Distopia testicular bilateral + história familiar de óbito neonatal com vômitos → suspeitar de hiperplasia adrenal congênita (HAC) e genitália ambígua.

Resumo-Chave

A presença de testículos não palpáveis bilateralmente em um menino, especialmente com história familiar sugestiva de doença adrenal, levanta a suspeita de genitália ambígua. Nesses casos, a ultrassonografia pélvica é crucial para identificar a presença de estruturas müllerianas e guiar a investigação hormonal e genética, antes de qualquer intervenção cirúrgica.

Contexto Educacional

A distopia testicular, ou criptorquidia, é a ausência de um ou ambos os testículos na bolsa escrotal. Quando bilateral, e especialmente em um contexto de história familiar de óbito neonatal precoce com vômitos, a suspeita de genitália ambígua e hiperplasia adrenal congênita (HAC) deve ser levantada. A HAC é um grupo de distúrbios genéticos que afetam as glândulas adrenais, sendo a deficiência da 21-hidroxilase a causa mais comum, podendo levar a virilização em meninas e crise adrenal em ambos os sexos. O diagnóstico diferencial da distopia testicular bilateral inclui anorquia, testículos retráteis e, crucialmente, genitália ambígua. A investigação inicial deve focar na determinação do sexo genético e na exclusão de condições que ameacem a vida, como a crise adrenal. A ultrassonografia pélvica é um exame de imagem não invasivo que pode identificar a presença de estruturas müllerianas (útero, ovários) ou a localização de gônadas, auxiliando na diferenciação entre criptorquidia verdadeira e genitália ambígua. A conduta subsequente dependerá dos achados da ultrassonografia e de exames hormonais e genéticos (cariótipo). Se confirmada genitália ambígua ou HAC, o tratamento envolve reposição hormonal e, em alguns casos, cirurgia corretiva. A correção cirúrgica da criptorquidia (orquidopexia) é geralmente realizada entre 6 e 18 meses de idade para testículos palpáveis ou unilateralmente não palpáveis, mas deve ser postergada até a elucidação diagnóstica em casos de bilateralidade com suspeita de genitália ambígua.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de alerta para distopia testicular bilateral em crianças?

Testículos não palpáveis bilateralmente ao exame físico, especialmente se associado a história familiar de óbito neonatal precoce com vômitos ou genitália ambígua em outros membros da família.

Por que a ultrassonografia pélvica é a conduta inicial na distopia testicular bilateral?

A ultrassonografia pélvica é fundamental para identificar a presença de estruturas müllerianas (útero, ovários) que indicariam genitália ambígua, além de localizar os testículos ou gônadas.

Qual a relação entre distopia testicular bilateral e hiperplasia adrenal congênita?

Em casos de hiperplasia adrenal congênita (HAC) com virilização pré-natal em meninas, os genitais externos podem parecer masculinos (genitália ambígua), levando à falsa impressão de distopia testicular bilateral. A HAC pode causar crise adrenal com vômitos e óbito.

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