Distonia Aguda por Antipsicóticos: Diagnóstico e Conduta

ENARE/ENAMED — Prova 2026

Enunciado

Homem de 20 anos, com diagnóstico de esquizofrenia, chega à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) acompanhado de familiares, que descrevem que o paciente acordou "torto". Há 5 dias, foi realizada a troca de risperidona por haloperidol, pois aquela estava em falta na farmácia. Paciente nega outras queixas clínicas. Ao exame, apresenta contratura de região cervical e fácies de dor. Quais são, respectivamente, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Distonia; biperideno intramuscular.
  2. B) Acatisia; haloperidol intramuscular.
  3. C) Discinesia tardia; diazepam intramuscular.
  4. D) Síndrome extrapiramidal; prometazina intramuscular.

Pérola Clínica

Troca antipsicótico (risperidona p/ haloperidol) + contratura cervical aguda → Distonia aguda = Biperideno IM.

Resumo-Chave

A distonia aguda é um efeito extrapiramidal comum de antipsicóticos típicos, como o haloperidol, manifestando-se como contrações musculares sustentadas e involuntárias. O tratamento de escolha é a administração de anticolinérgicos, como o biperideno, por via intramuscular para alívio rápido dos sintomas.

Contexto Educacional

A distonia aguda é uma das reações adversas extrapiramidais (EEP) mais dramáticas e angustiantes associadas ao uso de antipsicóticos, especialmente os de primeira geração (típicos), como o haloperidol. Ela se manifesta como contrações musculares sustentadas e involuntárias, que podem levar a posturas anormais e dolorosas. O quadro clínico pode incluir torcicolo, crise oculogírica (desvio dos olhos para cima), trismo, opistótono ou disfagia, geralmente surgindo nas primeiras horas ou dias após o início ou aumento da dose do medicamento. A fisiopatologia envolve o bloqueio dos receptores dopaminérgicos D2 na via nigroestriatal, levando a um desequilíbrio entre a atividade dopaminérgica e colinérgica. O tratamento de escolha para a distonia aguda é a administração parenteral (intramuscular ou intravenosa) de agentes anticolinérgicos, como o biperideno ou a prometazina, que rapidamente restauram o equilíbrio neuroquímico e aliviam os sintomas. É crucial diferenciar a distonia aguda de outras EEPs, como acatisia (inquietação motora) e discinesia tardia (movimentos involuntários repetitivos que surgem após uso crônico), para garantir a conduta terapêutica correta.

Perguntas Frequentes

O que é distonia aguda e como ela se manifesta?

Distonia aguda é um efeito extrapiramidal caracterizado por contrações musculares sustentadas e involuntárias, que podem causar posturas anormais e dolorosas. Pode afetar pescoço (torcicolo), olhos (crise oculogírica), mandíbula (trismo) e tronco.

Por que o haloperidol é mais propenso a causar distonia aguda que a risperidona?

O haloperidol é um antipsicótico típico de alta potência, com forte bloqueio dos receptores dopaminérgicos D2, especialmente na via nigroestriatal, o que aumenta o risco de efeitos extrapiramidais como a distonia. A risperidona, embora possa causar EEP, é um antipsicótico atípico com menor afinidade por esses receptores em doses baixas.

Qual o mecanismo de ação do biperideno no tratamento da distonia?

O biperideno é um anticolinérgico que age bloqueando os receptores muscarínicos de acetilcolina. Na distonia induzida por antipsicóticos, há um desequilíbrio entre os sistemas dopaminérgico (bloqueado) e colinérgico (relativamente hiperativo), e o biperideno ajuda a restaurar esse equilíbrio, aliviando as contrações musculares.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo