Distonia Aguda por Antipsicóticos: Diagnóstico e Manejo

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Homem de 20 anos, com diagnóstico de esquizofrenia, chega à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) acompanhado de familiares, que descrevem que o paciente acordou "torto". Há 5 dias, foi realizada a troca de risperidona por haloperidol, pois aquela estava em falta na farmácia. Paciente nega outras queixas clínicas. Ao exame, apresenta contratura de região cervical e fácies de dor. Quais são, respectivamente, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Distonia; biperideno intramuscular.
  2. B) Acatisia; haloperidol intramuscular.
  3. C) Discinesia tardia; diazepam intramuscular.
  4. D) Síndrome extrapiramidal; prometazina intramuscular.

Pérola Clínica

Troca para haloperidol + contratura cervical aguda = Distonia aguda → Biperideno IM.

Resumo-Chave

A distonia aguda é um efeito extrapiramidal comum de antipsicóticos de alta potência, como o haloperidol, especialmente no início do tratamento ou após aumento da dose. Caracteriza-se por contrações musculares sustentadas e involuntárias. O tratamento de escolha é um anticolinérgico, como o biperideno, por via intramuscular para rápida ação.

Contexto Educacional

A distonia aguda é uma reação adversa extrapiramidal (EAP) comum, especialmente associada ao uso de antipsicóticos de primeira geração (típicos) ou de alta potência, como o haloperidol. É crucial para residentes e estudantes de medicina reconhecerem essa condição, que pode ser angustiante para o paciente e requer intervenção imediata. Fisiopatologicamente, a distonia aguda resulta do bloqueio excessivo dos receptores dopaminérgicos D2 na via nigroestriatal, levando a um desequilíbrio entre os sistemas dopaminérgico e colinérgico. O diagnóstico é clínico, caracterizado por contrações musculares tônicas e involuntárias, que podem se manifestar como torcicolo, crise oculógira, trismo ou opistótono, geralmente nas primeiras horas ou dias após o início ou aumento da dose do antipsicótico. O tratamento da distonia aguda é uma emergência médica e consiste na administração de agentes anticolinérgicos, como o biperideno ou a difenidramina, por via parenteral (intramuscular ou intravenosa) para um alívio rápido e eficaz dos sintomas. A prevenção envolve o uso de doses mínimas eficazes de antipsicóticos e, em alguns casos, a profilaxia com anticolinérgicos orais para pacientes de alto risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de distonia aguda induzida por antipsicóticos?

A distonia aguda manifesta-se por contrações musculares sustentadas e involuntárias, que podem afetar pescoço (torcicolo), olhos (crise oculógira), mandíbula (trismo) ou tronco (opistótono), causando posturas anormais e dor intensa.

Qual a conduta mais adequada para um paciente com distonia aguda?

A conduta mais adequada é a administração de um agente anticolinérgico, como o biperideno (2-4 mg) ou difenidramina (25-50 mg), por via intramuscular ou intravenosa para um alívio rápido e eficaz dos sintomas da distonia.

Por que o haloperidol pode causar distonia aguda e a risperidona menos?

O haloperidol é um antipsicótico de primeira geração com alta afinidade por receptores dopaminérgicos D2, causando um bloqueio dopaminérgico mais intenso e, consequentemente, maior risco de efeitos extrapiramidais como a distonia. A risperidona, um antipsicótico de segunda geração, tem um perfil de ligação mais equilibrado, com menor incidência de EAP.

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