Distócia de Parto: Causas e Manejo da Parada de Progressão

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020

Enunciado

Ao analisar o partograma de uma nulípara, 38 semanas de gestação, você observa que a mesma internou com 7 centímetros de dilatação cervical, apresentação cefálica, bolsa das águas rota e boa vitalidade fetal. Após 4 horas do exame acima descrito, observa-se que a dilatação cervical permanece a mesma, apesar da existência de contrações uterinas em número e intensidade adequados. A causa dessa distócia, na maioria das vezes, é devido a:

Alternativas

  1. A) Sinclitismo de Nagëlle 
  2. B) Circular cervical de cordão
  3. C) Apresentações fetais defletidas 
  4. D) Amniorrexe prematura

Pérola Clínica

Nulípara com dilatação estacionada (7 cm por 4h) e contrações adequadas → suspeitar distócia por apresentação fetal defletida ou desproporção cefalopélvica.

Resumo-Chave

Em uma nulípara com trabalho de parto ativo (7 cm de dilatação) e contrações uterinas eficazes, a parada de progressão da dilatação por 4 horas sugere uma distócia. Apresentações fetais defletidas (como de fronte ou face) são causas comuns de distócia, pois impedem o encaixe e a progressão adequados da cabeça fetal pelo canal de parto, mesmo com boa contratilidade.

Contexto Educacional

A distócia de parto é uma das principais indicações de cesariana e um tópico central na obstetrícia. Ela se refere a um trabalho de parto difícil ou prolongado, resultante de anormalidades em um ou mais dos "3 Ps": poder (contrações uterinas), passageiro (feto) e passagem (bacia materna). A interpretação do partograma é fundamental para identificar a parada de progressão. No caso de uma nulípara com dilatação estacionada na fase ativa, mesmo com contrações uterinas adequadas, deve-se investigar outras causas de distócia. As apresentações fetais defletidas, como a de fronte ou a de face (especialmente mento-posterior), são causas comuns de parada de progressão, pois o diâmetro de apresentação da cabeça fetal é maior, impedindo o encaixe e a descida. A desproporção cefalopélvica também é uma possibilidade. O manejo da distócia depende da causa. Se a causa for uma apresentação fetal defletida que impede a progressão, a cesariana é frequentemente a conduta indicada. É crucial que o residente saiba identificar esses padrões no partograma e correlacioná-los com as possíveis causas para tomar a decisão clínica adequada e segura para mãe e feto.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza uma parada de progressão no trabalho de parto?

A parada de progressão é caracterizada pela ausência de mudança na dilatação cervical por um período específico (ex: 4 horas na fase ativa com contrações adequadas ou 6 horas com contrações inadequadas), ou na descida da apresentação fetal.

Quais são as principais causas de distócia de dilatação?

As principais causas são as anormalidades das forças uterinas (contrações inadequadas), anormalidades do trajeto (bacia inadequada ou obstruções) e anormalidades do objeto (apresentações fetais anômalas, como defletidas, ou macrossomia).

Como as apresentações fetais defletidas afetam o trabalho de parto?

Apresentações defletidas (de fronte, de face mento-posterior) aumentam o diâmetro de apresentação da cabeça fetal, dificultando o encaixe e a progressão pelo canal de parto, mesmo com contrações uterinas eficazes, levando à distócia de dilatação e descida.

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