PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2023
Gestante, 26 semanas, com obesidade grau 2, nega comorbidades. Tercigesta e primípara, vem para consulta de pré-natal com ultrassonografia morfológica de 2º trimestre, evidenciando feto único vivo, cefálico, placenta grau 0, peso estimado no percentil 95, ILA sem alterações. Ausência de alterações na morfologia fetal.Uma das maiores preocupações no parto normal de fetos, em casos como esse, é a distocia de ombros. Indique a manobra utilizada na tentativa de desprendimento do ovoide córmico.
Distocia de ombros → 1ª conduta: Manobra de McRoberts + Pressão Suprapúbica.
A manobra de McRoberts aumenta o diâmetro pélvico e retifica o sacro, sendo a intervenção inicial padrão-ouro para resolver a impactação do ombro fetal.
A distocia de ombros é uma emergência obstétrica definida pela falha no desprendimento dos ombros após a saída da cabeça fetal, frequentemente sinalizada pelo 'sinal da tartaruga'. A fisiopatologia envolve a impactação do ombro anterior atrás da sínfise púbica materna. O manejo deve ser sistemático, seguindo algoritmos como o ALARMER ou HELPERR. A manobra de McRoberts é a intervenção de primeira linha devido à sua simplicidade e alta taxa de sucesso, visando alterar a angulação pélvica sem aplicar tração excessiva no pescoço fetal, o que reduz o risco de lesão do plexo braquial.
A manobra de McRoberts consiste na hiperflexão e abdução das coxas maternas contra o abdome. Essa ação promove a retificação do promontório sacral e a rotação cefálica da sínfise púbica, aumentando o espaço disponível na pelve e facilitando que o ombro anterior deslize por baixo da sínfise. É a manobra inicial mais eficaz, resolvendo cerca de 40-90% dos casos de distocia de ombros quando associada à pressão suprapúbica.
Os principais fatores incluem macrossomia fetal (peso > 4.000g ou 4.500g), diabetes gestacional, obesidade materna, ganho de peso excessivo na gestação, parto instrumentalizado e história prévia de distocia de ombros. No entanto, é importante notar que a maioria dos casos ocorre em gestações sem fatores de risco identificáveis, exigindo prontidão da equipe em todo parto vaginal.
Caso a manobra de McRoberts e a pressão suprapúbica falhem, utilizam-se manobras internas como a Manobra de Rubin II (pressão no ombro posterior para adução), Manobra de Woods (rotação do ombro posterior) ou o desprendimento do braço posterior. Em casos extremos, manobras de terceira linha como a Manobra de Zavanelli (recolocação do feto no útero para cesariana) podem ser consideradas.
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