Distocia de Ombro: Reconhecimento e Manobra de McRoberts

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2020

Enunciado

Gestante em trabalho de parto, admitida com feto cefálico com dorso à esquerda, apresenta em sua evolução o desprendimento da cabeça fetal, mas não há saída do corpo e sim retração da cabeça (“sinal da tartaruga”). Assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Uma boa indicação é a pressão no fundo uterino, favorecendo a expulsão fetal e prevenindo lesões maternas e fetais.
  2. B) Trata-se de evolução fisiológica e a conduta deve ser de observação, tomando conduta ativa se não houver nascimento em até 60 minutos.
  3. C) Trata-se de emergência obstétrica que pode levar a óbito fetal, pode ocorrer em fetos com peso normal e tem indicação da manobra de McRoberts.
  4. D) A Pressão suprapúbica é contraindicada devido ao risco fetal de lesão de plexo braquial e de fratura de clavícula.
  5. E) A promoção de contratilidade com ocitocina é a melhor opção pois melhora a contratilidade e previne a hemorragia puerperal.

Pérola Clínica

Sinal da tartaruga = Distocia de ombro. Emergência obstétrica → Manobra de McRoberts + Pressão suprapúbica.

Resumo-Chave

O 'sinal da tartaruga' (retração da cabeça fetal após o desprendimento) é patognomônico de distocia de ombro, uma emergência obstétrica grave que exige intervenção imediata. A manobra de McRoberts, que consiste na hiperflexão das coxas da gestante sobre o abdome, é a primeira e mais eficaz medida para tentar liberar o ombro impactado.

Contexto Educacional

A distocia de ombro é uma emergência obstétrica imprevisível e grave, caracterizada pela falha do ombro anterior fetal em passar sob a sínfise púbica materna após o desprendimento da cabeça. Embora mais comum em fetos macrossômicos, pode ocorrer em fetos de peso normal, tornando seu reconhecimento e manejo rápidos essenciais para prevenir morbimortalidade materna e fetal. O 'sinal da tartaruga', onde a cabeça fetal se retrai contra o períneo, é um achado clínico patognomônico. O manejo da distocia de ombro requer uma sequência de manobras bem estabelecidas, começando pela manobra de McRoberts. Esta consiste na hiperflexão das coxas da gestante sobre o abdome, o que retifica a coluna lombar e aumenta o diâmetro anteroposterior da pelve. Concomitantemente, pode-se aplicar pressão suprapúbica para auxiliar na rotação e desimpactação do ombro. É crucial evitar a pressão no fundo uterino (manobra de Kristeller), pois pode agravar a impactação e aumentar o risco de lesões. As complicações da distocia de ombro são significativas e incluem lesão do plexo braquial (paralisia de Erb-Duchenne ou Klumpke), fratura de clavícula ou úmero no feto, e asfixia fetal que pode levar a dano neurológico permanente ou óbito. Para a mãe, há risco aumentado de hemorragia pós-parto devido à atonia uterina e lacerações graves do trato genital. A equipe deve estar preparada para a reanimação neonatal e para o manejo das complicações maternas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da distocia de ombro?

O sinal mais característico é o 'sinal da tartaruga', onde a cabeça fetal se retrai contra o períneo após o desprendimento, e o ombro anterior não consegue passar sob a sínfise púbica, indicando impactação.

Qual a primeira manobra a ser realizada em caso de distocia de ombro?

A manobra de McRoberts é a primeira e mais importante, consistindo na hiperflexão das coxas da gestante sobre o abdome para retificar a coluna lombar e aumentar o diâmetro pélvico, facilitando a desimpactação.

Quais são as principais complicações da distocia de ombro para o feto e a mãe?

Para o feto, as complicações incluem lesão do plexo braquial, fratura de clavícula ou úmero, asfixia e óbito. Para a mãe, pode ocorrer atonia uterina, hemorragia pós-parto e lacerações perineais graves.

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